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Vladimir Putin quer bem mais do que território

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 19.05.2025 18:41 comentários
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Vladimir Putin quer bem mais do que território

Putin não cede a pressões e sabota negociações de paz; o sonho do imperialismo russo tira o sono da Europa

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Redação O Antagonista
5 minutos de leitura 19.05.2025 18:41 comentários 1
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Qualquer potencial acordo de paz para encerrar o conflito na Ucrânia terá a questão do território como ponto central e mais controverso. A posição de Moscou, que exige o reconhecimento de suas anexações, colide com a determinação de Kiev de restaurar sua integridade territorial, tornando a busca por uma solução diplomática um desafio imenso. Essa dinâmica não apenas define as linhas de batalha e negociação, mas também revela a estratégia de longo prazo da Rússia para projetar influência na região.

O ponto central das negociações entre Rússia e Ucrânia

Segundo Stefan Wolff, professor de Segurança Internacional da Universidade de Birmingham, e Tetyana Malyarenko, professora da Academia Nacional de Direito de Odesa, a discussão sobre quem controla qual território estará inevitavelmente no topo da agenda em qualquer diálogo de paz entre o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky e o ditador russo Vladimir Putin.

A Rússia indica que deseja basear as negociações no Comunicado de Istambul de março de 2022 e em um rascunho de acordo subsequente de abril de 2022. Essas discussões giraram em torno da neutralidade permanente da Ucrânia, garantias de segurança de outras nações e adiaram a discussão sobre a Crimeia para negociações separadas em um horizonte de dez a quinze anos.

No entanto, a situação mudou drasticamente desde 2022. A Rússia agora usa a expressão “a situação atual no terreno” como um eufemismo para as questões territoriais, que se tornaram muito mais complexas. Isso se refere às vitórias russas no campo de batalha e à anexação ilegal de quatro regiões ucranianas – Donetsk, Luhansk, Kherson e Zaporizhzhia – em setembro de 2022, somando-se à Crimeia, ilegalmente anexada em 2014.

A posição russa, articulada por Sergey Lavrov, ministro das Relações Exteriores, é que o reconhecimento internacional da Crimeia, Sevastopol, RPD, RPL, e das regiões de Kherson e Zaporizhzhia como parte da Rússia, é imperativo.

Essa exigência é inaceitável para a Ucrânia, como Zelensky reiterou repetidamente. Contudo, segundo Wolff e Malyarenko, pode haver alguma margem de flexibilidade na aceitação de que partes do território soberano ucraniano estão sob controle russo temporário. Essa ideia foi sugerida tanto pelo enviado de Donald Trump para a Ucrânia, Keith Kellogg, quanto pelo prefeito de Kiev, Vitali Klitschko.

O valor estratégico, econômico e simbólico dos territórios

Os territórios ocupados e reivindicados pela Rússia na Ucrânia representam valores distintos para Moscou e Kiev.

As áreas de maior valor estratégico incluem a Crimeia e os territórios ao longo do Mar de Azov, que garantem à Rússia um corredor terrestre para a Crimeia. O reconhecimento internacional da Crimeia como parte da Rússia, como aparentemente proposto sob os termos de um acordo discutido entre Putin e o enviado de Trump, Steve Witkoff, poderia expandir as áreas do Mar Negro que a Rússia considera legalmente sob seu controle. Isso seria uma base para novos ataques à Ucrânia e uma ameaça para o flanco marítimo leste da OTAN na Romênia e Bulgária, tornando o reconhecimento permanente do controle russo sobre esses territórios inaceitável para a Ucrânia e seus parceiros europeus.

Donetsk e Luhansk, embora de menor valor estratégico que a Crimeia, Kherson e Zaporizhzhia, têm valor econômico significativo, devido aos vastos recursos ali localizados. Incluem minerais (alguns dos quais foram objeto de um acordo separado entre EUA e Ucrânia em abril) e a maior usina nuclear da Europa em Zaporizhzhia. A população estimada dessas regiões, entre 4,5 e 5,5 milhões, representa uma força de trabalho crucial para a reconstrução pós-guerra da Ucrânia.

Além dos aspectos estratégicos e econômicos, o simbolismo associado ao controle desses territórios é o obstáculo mais significativo para qualquer acordo. Para ambos os lados, o controle ou a perda dessas áreas definem a vitória ou a derrota na guerra. Putin pode tentar apresentar ganhos territoriais desde 2022 como uma vitória para a Rússia, mas abrir mão de território conquistado, frequentemente a um custo humano elevadíssimo, seria um risco para a estabilidade de seu regime.

Para a Ucrânia, qualquer coisa aquém da restauração completa de sua integridade territorial nas fronteiras de 1991 implicaria o reconhecimento da derrota. Isso ameaçaria criticamente a estabilidade do governo Zelensky, cujo programa político se baseia no retorno às fronteiras de 1991. A liderança ucraniana, nesse sentido, tornou-se refém de sua própria estratégia de comunicação, que colocou a “devolução de todos os territórios” como critério máximo para a vitória, uma meta amplamente compartilhada pelos ucranianos, segundo uma pesquisa de março de 2025.

Consequências a longo prazo e o plano russo

Ainda de acordo com Stefan Wolff e Tetyana Malyarenko, além das potenciais repercussões domésticas na Ucrânia, a questão territorial é intrincada porque o controle sobre o território sempre foi, para a Rússia, um instrumento para buscar sua agenda geopolítica mais ampla de exercer influência sobre seus vizinhos, como Moldávia, Geórgia, Armênia e Ucrânia. É importante notar que as reivindicações territoriais da Rússia na Ucrânia expandiram-se gradualmente desde 2014. Até setembro de 2022, a Rússia reivindicava apenas a Crimeia; depois, anexou mais quatro regiões.

A agressão russa não foi apenas uma guerra por território. Foi, e é, parte da agenda de Moscou para restaurar a esfera de influência perdida no final da Guerra Fria. Uma estratégia internacional que mire apenas nas consequências territoriais, embora possa levar a um cessar-fogo, não abordará a questão fundamental de como lidar com uma autocracia vingativa e revisionista nas fronteiras da Europa.

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Comentários (1)

Alexandre Ataliba Do Couto Resende

19.05.2025 21:05

Pequeno detalhe: todos somos mortais. Até os ditadores e autocratas.


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Alexandre Ataliba Do Couto Resende

19.05.2025 21:05

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