“Verdades sobre a guerra da Ucrânia ignoradas por nossa conta e risco”
Douglas Murray alerta que qualquer acordo de Trump sobre a guerra na Ucrânia será julgado por realidades incontestáveis sobre Putin e o conflito
O escritor e analista britânico Douglas Murray publicou artigo intitulado “Mr. President: Putin is THE dictator and 10 Ukraine-Russia war truths we ignore at our peril”, no New York Post.
Murray alerta que, em meio às tentativas do presidente Donald Trump de encerrar a guerra na Ucrânia, há verdades inegáveis sobre o conflito que não podem ser ignoradas.
A primeira delas é que “Vladimir Putin começou essa guerra, apesar do que Trump disse dias atrás”. Murray lembra que, em fevereiro de 2022, o exército russo invadiu a Ucrânia após meses de acúmulo de tropas na fronteira, sem qualquer provocação militar de Kiev ou da Otan.
“Trump está certo ao dizer que a guerra ‘nunca precisaria ter começado’. Mas foi Putin, não Zelensky, quem a iniciou”, enfatiza.
A segunda verdade essencial é que “a Rússia está lutando por conquista”. A Ucrânia, reconhecida internacionalmente como um país soberano, foi invadida porque Putin queria anexá-la.
Murray ressalta que “entre os inúmeros crimes de guerra russos, está o sequestro de cerca de 20 mil crianças ucranianas”. Para ele, um acordo de paz digno deveria ter a libertação dessas crianças como prioridade.
Murray também desafia a narrativa propagada por Putin de que “ucranianos e russos são um só povo”. Ele argumenta que “ucranianos e russos são dois grupos étnicos distintos, falam línguas diferentes e têm histórias próprias”.
Da mesma forma, rebate Trump ao afirmar que “Zelensky não é um ditador”, lembrando que sua eleição em 2019 foi legítima e que, ao contrário de Putin, ele enfrenta uma imprensa livre e críticas públicas.
O artigo reforça que “Putin é um ditador”, no poder desde 1999, esmagando opositores, censurando a imprensa e ordenando assassinatos políticos dentro e fora da Rússia.
Ao comentar a ausência de eleições na Ucrânia durante a guerra, Murray lembra que “quando a Grã-Bretanha lutava pela sobrevivência contra os nazistas nos anos 1940, também não houve eleições”.
Outro ponto central é que “a Rússia não é amiga dos EUA”.
Murray destaca que Putin se aliou à China, ao Irã e à Coreia do Norte, regimes hostis ao Ocidente. Enquanto isso, “a Ucrânia quer ser parte da ordem liderada pelos EUA”, e seu povo luta não só pela independência do país, mas para impedir novas invasões russas na Europa.
Murray também adverte que “Putin não pode ser confiável”. Ele violou tratados internacionais, interferiu em eleições e “mentiu a presidentes americanos e líderes europeus durante toda a sua carreira”. Um exemplo recente: prometeu não atacar a infraestrutura energética ucraniana, mas nesta semana lançou uma grande ofensiva de mísseis contra essas instalações.
Sobre o apoio dos EUA à Ucrânia, Murray contesta as críticas e afirma que “a ajuda americana não está sendo desperdiçada”.
Ele reconhece que a Ucrânia tem corrupção, mas frisa que “a verdadeira cleptocracia está na Rússia”, controlada por Putin e seus oligarcas. Além disso, argumenta que bilhões dos fundos enviados a Kiev foram gastos dentro dos EUA, beneficiando indústrias e trabalhadores americanos.
O artigo conclui com um alerta: “Trump tem a chance de acabar com a guerra, talvez até ganhar um Prêmio Nobel da Paz”. Mas se sua paz for um “apaziguamento” que ignore essas realidades, o custo será alto. “Sem uma paz sólida, não será apenas a Ucrânia que sofrerá. Todos nós sofreremos”, sentencia Murray.
Quem é Douglas Murray
Douglas Murray é um jornalista, escritor e comentarista político britânico.
Autor de diversos livros sobre política internacional e sociedade, incluindo The Strange Death of Europe e The War on the West, Murray é conhecido por sua postura crítica ao autoritarismo e suas análises sobre conflitos geopolíticos.
É colunista de veículos como The Spectator e New York Post, e um dos principais comentaristas conservadores no cenário internacional.
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Comentários (2)
Denise Pereira da Silva
21.02.2025 17:19Putin está de olho em um acordo que permita aos EUA explorar os abundantes minerais raros existentes em solo ucraniano. Como Zelensky não aceitou a proposta de Trump, pois na mesma não havia cláusulas de proteção do território ucraniano pelos EUA, Trump está forçando a barra.
Silvana
21.02.2025 11:51Depois de toda a argumentação fica claro que a Ucrânia estava certa em reforçar a fronteira com a Rússia .