Venezuela detém cidadãos por comemorar captura de Maduro
Governo interino aplica estado de exceção contra atos de apoio à intervenção dos Estados Unidos no território nacional
Dois moradores da zona rural de Río Negro, no estado de Mérida, foram levados sob custódia por autoridades venezuelanas na última segunda-feira, 5. A prisão foi motivada após os cidadãos “comemorarem” a detenção de Nicolás Maduro e Cilia Flores por forças norte-americanas. O país opera sob um regime de exceção e estabelece punições a quem manifestar adesão à operação estrangeira.
Os indivíduos capturados são irmãos, agricultores de 64 e 65 anos, conforme informações divulgadas pela organização Foro Penal. Segundo a entidade, os homens estavam em frente à residência onde moram quando ocorreu a abordagem policial. O advogado Gonzalo Himiob atua na defesa dos produtores rurais e aguarda o encaminhamento jurídico do caso.
“Estamos esperando para ver se serão apresentados nos tribunais”, afirmou Himiob à agência AFP. Ele descreveu os clientes como pessoas simples que se encontravam alcoolizadas no momento da comemoração. “São agricultores muito humildes. Estavam em estado de embriaguez e foram para a frente de sua casa comemorar que haviam capturado Maduro”, relatou o advogado.
A denúncia que levou à prisão partiu de vizinhos alinhados ao governo chavista. Os irmãos teriam utilizado armas comuns em propriedades rurais para realizar disparos para o alto durante a celebração. “Deram tiros para o alto com as armas que normalmente são mantidas em fazendas e propriedades rurais, fazendo piadas com seus vizinhos que são pró-governo, e que depois os denunciaram às autoridades”, disse Himiob.
A repressão continua após queda de Maduro
Esses casos marcam as primeiras prisões sob a referida acusação desde que Delcy Rodríguez assumiu a presidência interina da Venezuela. A gestão atual lida com pressões diplomáticas e econômicas exercidas pelo governo de Donald Trump. Atualmente, o Foro Penal registra um total de 806 detidos por motivações políticas no país, incluindo 175 militares.
O ambiente em território venezuelano é de baixa mobilização pública favorável à incursão dos Estados Unidos. O receio de novas punições inibe manifestações, após os episódios de 2024. Naquele ano, protestos contra o resultado das eleições resultaram em mais de duas mil prisões em um intervalo de apenas 48 horas.
Enquanto grupos governistas fazem vigílias e atos nas ruas de Caracas, a oposição permanece em silêncio.
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