Van atropela multidão em parada LGBTQ+ em Berlim
Suspeito, com histórico de radicalização islâmica, foi morto pela polícia um dia após o ataque; mulher de 65 anos morreu
Uma van branca atropelou de maneira proposital a multidão que participava da Marcha do Orgulho LGBTQ+ em Berlim na noite de sábado, 25, matando uma mulher polonesa de 65 anos e ferindo outras 29 pessoas, algumas em estado grave.
O atentado ocorreu por volta das 22h, nas proximidades do Portão de Brandemburgo, quando o evento já se encerrava. O motorista fugiu do local após colidir contra uma árvore, e o principal suspeito foi morto pela polícia na noite seguinte.
Suspeito tinha passagem por caso de terrorismo
O homem apontado como principal suspeito é Abdul B., alemão de 21 anos, filho de mãe libanesa, com antecedentes criminais e vínculos com círculos islamistas na capital.
Segundo a Deutsche Welle, ele havia sido detido em 2025 ao tentar integrar as fileiras do Estado Islâmico na Síria, sendo capturado ainda no Líbano e enviado de volta à Alemanha em novembro daquele ano.
Na Justiça alemã, ele respondeu por preparação de ato grave de violência contra a segurança do Estado. Embora o Ministério Público tenha pedido pena de dois anos e dez meses de prisão, a condenação final foi de um ano e dez meses, com suspensão condicional — decisão amparada pela legislação mais branda aplicada a jovens infratores. Com a suspensão, ele foi solto e permanecia em liberdade desde meados de maio.
O suspeito deveria cumprir 26 sessões em um programa de desradicalização, das quais participou de apenas duas. Uma terceira estava agendada justamente para esta segunda-feira, 27. Ele foi morto pela polícia na noite de domingo depois de avançar contra os agentes portando uma arma branca.
Investigação aponta possível segundo agressor
O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt, classificou o episódio como “ataque terrorista islamista”. A apuração passou a ser conduzida pelo Ministério Público Federal, em Karlsruhe, órgão que normalmente assume casos ligados a crimes graves contra a segurança do país, como terrorismo e espionagem.
Ainda não há confirmação de que Abdul B. estivesse ao volante da van, tampouco a quem pertencia o veículo, que era particular e foi apreendido danificado perto do local do crime. Investigadores avaliam que o ataque teria ocorrido em duas etapas: após a fase do atropelamento, uma pessoa pode ter deixado o carro e agredido transeuntes com armas brancas.
Segundo o ministro Dobrindt, o agressor teria usado um facão contra pedestres. Relatos de testemunhas, porém, divergem sobre a existência de um ou mais atacantes, e o número exato de suspeitos segue sem confirmação oficial.
Especialistas questionam falhas de segurança
Para o pesquisador Felix Neumann, da Fundação Konrad Adenauer, mesmo com investimentos em segurança por parte de governos, é impossível eliminar totalmente o risco desse tipo de ataque: “Sempre haverá pessoas que, por qualquer motivo que seja, recorrerão à violência e, então, encontrarão alguma brecha”.
Já o pesquisador Rafael Bossong, do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança, avalia que barreiras de trânsito podem ter sido relaxadas com o encerramento do evento: “Depende da hora e do local. Neste caso, o Tiergarten é uma área ampla, a cerimônia estava chegando ao fim, então talvez as restrições de trânsito tivessem sido flexibilizadas”.
Bossong afirma que cerca de nove mil radicais islâmicos com potencial violento vivem atualmente na Alemanha, mas descreve o autor do ataque como uma figura secundária, sem afiliação comprovada a organizações terroristas e sem sinais evidentes de planejamento online.
O chanceler federal Friedrich Merz reagiu ao episódio pedindo à população que não se deixe intimidar e afirmou que o país precisará rever medidas de segurança.
O ataque acontece antes de eleições regionais marcadas para setembro em três estados, em meio ao crescimento nas pesquisas do partido Alternativa para a Alemanha (AfD).
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