Vai estourar? Ex-estudantes inadimplentes na mira do governo dos EUA
Cobrança de empréstimos estudantis estava suspensa desde março de 2020
O Departamento de Educação dos Estados Unidos anunciou que, a partir de 5 de maio, retomará a cobrança de empréstimos estudantis federais em situação de inadimplência.
A medida marca o fim de uma pausa iniciada em março de 2020 durante a pandemia, quando suspensões foram implementadas para aliviar o peso financeiro sobre os estudantes.
Fim do período de tolerância
A confusão em torno dos empréstimos estudantis aumentou nos últimos anos. A cobrança dos pagamentos foi suspensa em 2020 pelo governo Trump, mas a medida foi estendida por Joe Biden até outubro de 2024.
Biden, por sua vez, mesmo tendo seu plano de ampla anistia das dívidas estudantis barrado pela Suprema Corte, perdoou mais de US$ 183 bilhões em débitos por meio de programas específicos.
Com a retomada da cobrança sendo feita através do Departamento do Tesouro, o governo deve reter devoluções de imposto de renda e salários de funcionários públicos, entre outras medidas.
5,3 milhões estão inadimplentes
Paralelamente, cortes na equipe do Governo Federal que administra os programas de empréstimos e mudanças nos planos de pagamento dificultam ainda mais o acesso a informações e alternativas.
Kristin McGuire, diretora executiva da organização Young Invincibles, resume a situação de muitos em situação de inadimplência: “Não dá para dizer que os inadimplentes simplesmente não querem pagar suas dívidas. Eles não só não conseguem pagar como não sabem como pagar”.
Ao todo, menos de 40% dos mutuários estão com os pagamentos em dia. Especialistas dizem que uma saída para evitar sanções mais severas, como descontos automáticos em folha, é aderir ao programa de reabilitação de empréstimos, que exige pagamentos pontuais por pelo menos nove meses corridos.
Decisão “cruel” e “desnecessária”
Grupos de defesa dos estudantes criticaram duramente a medida. Mike Pierce, do Student Borrower Protection Center, chamou a decisão de “cruel” e “desnecessária”, destacando o impacto negativo sobre famílias trabalhadoras.
A secretária de Educação do governo Trump, Linda McMahon, justificou a ação afirmando que “os contribuintes americanos não devem mais servir de fiadores para políticas irresponsáveis de empréstimos estudantis”.
Segundo ela, a nova postura visa restaurar a responsabilidade fiscal e ajudar os inadimplentes a retomarem os pagamentos, protegendo tanto a saúde financeira deles mesmos quanto a estabilidade econômica do país.
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