Universidades firmam acordo com Trump e divulgarão dados (inclusive raciais) de candidatos
Acordos entre Columbia e Brown e o governo dos EUA exigem a divulgação de informações detalhadas sobre os ingressantes
As universidades Columbia e Brown, instituições da chamada Ivy League, firmaram acordos com o governo de Donald Trump para divulgar dados detalhados de admissão dos ingressantes, como notas de testes padronizados, além de informações raciais de todos os candidatos.
Essa medida, estabelecida em Nova York e Rhode Island, busca implementar processos seletivos estritamente “baseados no mérito”, em resposta à pressão governamental para combater políticas universitárias “woke” e assegurar conformidade com a decisão da Suprema Corte, de 2023, que proíbe a consideração de raça nas admissões.
A iniciativa poderá remodelar profundamente os critérios de seleção estudantil nos Estados Unidos.
Pressão de Trump gera resultados
Os acordos exigem que Columbia e Brown mantenham “políticas de admissão baseadas no mérito”, vedando qualquer preferência “ilegal” com base em raça, cor ou origem nacional. O governo terá acesso a dados de candidatos aceitos e rejeitados, discriminados por raça, cor, média de notas e desempenho em testes padronizados.
A Casa Branca interpreta a obtenção desses dados como um avanço contra políticas universitárias progressistas, que abrangem ações afirmativas e programas de diversidade, equidade e inclusão, que discriminariam com base na raça.
A secretária de Educação, Linda McMahon, afirmou que os candidatos “serão julgados apenas por seus méritos, não por raça ou sexo”, e o presidente Donald Trump celebrou a medida em sua plataforma, Truth Social, declarando que “woke está oficialmente MORTO na Brown”.
Funcionários universitários e especialistas, contudo, manifestam receio de que o governo ou grupos privados utilizem os dados para novas acusações de discriminação contra as faculdades, ameaçando seu financiamento federal.
O impacto demográfico e o debate legal
A demografia de Columbia e Brown já apresenta mudanças. Entre os calouros de Columbia, a proporção de asiáticos subiu de 30% em 2023 para 39% em 2024, enquanto a de negros caiu de 20% para 12%. Em Brown, houve aumento de matrículas de asiáticos e brancos, e declínio de hispânicos e negros. Especialistas apontam que sistemas baseados em testes padronizados costumam favorecer estudantes asiáticos e prejudicar negros.
O governo Trump questiona a inserção de perguntas sobre objetivos e desafios de vida, ou considerações geográficas, vistas como potenciais meios ilegais de considerar a raça. A secretária de Justiça dos EUA, Pam Bondi, já havia ordenado revisão de políticas de admissão em outras instituições.
A interpretação governamental da decisão da Suprema Corte de 2023, que proíbe considerar raça na vida universitária, é contestada por estudioso. Eles ressaltam que a decisão permite a discussão sobre como a raça afetou a vida de um candidato.
O Escritório de Direitos Civis do Departamento de Educação já havia declarado em fevereiro que “tratar alunos de forma diferente com base na raça para atingir objetivos nebulosos como diversidade, equilíbrio racial, justiça social ou equidade é ilegal”.
Richard Kahlenberg, do Progressive Policy Institute, embora defenda admissões com foco em classe, alerta para o risco de os dados serem usados para sugerir que “qualquer tentativa de criar diversidade racial, mesmo por meios neutros em termos raciais, é problemática”.
As universidades se posicionaram sobre os acordos
Christina Paxson, presidente da Brown, afirmou que o governo federal já tinha direito a esses dados, e que a divulgação “demonstraria as fortes qualificações acadêmicas das turmas que admitimos, ao mesmo tempo em que permaneceria comprometida em acolher alunos de diversas origens”. Claire Shipman, presidente em exercício da Columbia, reiterou a obrigação da instituição de cumprir a lei e fornecer dados já requisitados de outras dezenas de instituições.
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