Uma série com Will Smith levou à descoberta de uma nova espécie de anaconda gigante na Amazônia
Nova espécie de anaconda é encontrada durante expedição de Will Smith
Em 2022, uma equipe de cientistas entrou nos rios da Amazônia equatoriana para gravar cenas do documentário “Pole to Pole with Will Smith”, da National Geographic. O objetivo era encontrar anacondas gigantes nas terras do povo indígena Waorani. O que ninguém esperava era que, além das imagens, a expedição trouxesse a confirmação de uma espécie que a ciência ainda não havia descrito.
O que foi descoberto e por que é importante?
Até 2024, acreditava-se que existia apenas uma espécie de anaconda verde no mundo: a Eunectes murinus, conhecida no Brasil como sucuri. As análises genéticas feitas a partir de amostras coletadas na expedição mostraram que isso estava errado. As sucuris do norte da Amazônia são geneticamente distintas das do sul, com uma diferença de 5,5% no DNA mitocondrial, valor considerado alto pelos pesquisadores.
O resultado foi publicado em fevereiro de 2024 na revista científica MDPI Diversity, com a participação de 14 pesquisadores de 9 países. A nova espécie recebeu o nome de Eunectes akayima, palavra que significa “grande cobra” em línguas indígenas do norte da América do Sul. A sucuri já conhecida passou a ser chamada de sucuri-verde-do-sul, e a nova espécie de sucuri-verde-do-norte.

Qual é o papel de Will Smith nessa história?
O ator estava na expedição para gravar o episódio “The Amazon: Dark Waters”, parte da série documental em que percorre sete continentes em 100 dias. Na cena filmada, Will Smith e o professor Bryan Fry, da Universidade de Queensland, saem de barco com guias Waorani pelos igarapés e encontram uma fêmea de sucuri na margem do rio.
O exemplar filmado media entre 4,9 e 5,2 metros de comprimento, segundo estimativa de Fry registrada no próprio programa. A série estreou em janeiro de 2026 na National Geographic e no Disney+. O papel de Smith foi o de apresentador, mas a presença dele na expedição deu visibilidade global a um trabalho científico que já vinha sendo construído há anos.
Quem busca uma expedição fascinante pela vida selvagem, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal National Geographic UK, que conta com mais de 850 mil visualizações, onde Will Smith mostra os bastidores da busca pela maior cobra do mundo na Amazônia:
Os pontos mais importantes sobre a descoberta:
Como os cientistas identificaram que eram espécies diferentes?
O problema era que as duas sucuris são praticamente idênticas visualmente. Nem especialistas conseguiam diferenciá-las a olho nu. Por isso, a equipe coletou amostras de sangue e tecidos de cobras no Brasil, no Equador e na Venezuela durante a expedição. A análise genética revelou a diferença de 5,5% no DNA, suficiente para caracterizar duas espécies distintas.
O estudo foi liderado pelo professor Jesús Rivas, da New Mexico Highlands University, que pesquisa anacondas há 32 anos. A expedição que resultou na coleta das amostras aconteceu em 2022, mas a publicação científica com a descrição formal da nova espécie só saiu em fevereiro de 2024. É comum que o processo entre a coleta e a publicação leve anos.
A nova espécie está em risco?
Os pesquisadores alertam que a sucuri-verde-do-norte já enfrenta ameaças sérias. A região do Equador onde ela vive sofre com décadas de exploração de petróleo, que contamina rios e áreas alagadas com hidrocarbonetos. A equipe da expedição registrou níveis preocupantes de metais pesados nos tecidos dos animais analisados, com possível impacto na fertilidade.
O desmatamento e a caça ilegal também pressionam a espécie. A líder indígena Nemonte Nenquimo, do povo Waorani, ganhou em 2019 um processo que barrou a exploração petrolífera em parte das terras da comunidade, mas a pressão continua. Descobrir uma nova espécie nessa região torna ainda mais urgente a proteção do território onde ela vive.
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O que essa descoberta muda para a ciência?
Durante décadas, todos os registros de anacondas verdes foram tratados como uma única espécie. A identificação da Eunectes akayima obriga a revisão de dados históricos e de estudos anteriores sobre distribuição, comportamento e conservação dessas serpentes. A distinção também importa para políticas de proteção: duas espécies diferentes precisam de estratégias de conservação separadas, levando em conta habitats e ameaças específicas de cada região.
Para além da ciência, a descoberta mostrou que a Amazônia ainda guarda espécies desconhecidas em um dos grupos de animais mais estudados do planeta. Se uma cobra que pode passar de 6 metros e 250 kg passou despercebida por tanto tempo, a pergunta natural é: o que mais ainda não encontramos?
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