Ucranianas libertadas após 6 anos relatam tortura e ‘inferno’ na Rússia
Yuliia Panina, Maryna Berezniatska e Svitlana Holovan retornaram em 14 de agosto em uma troca de prisioneiros
Três mulheres civis ucranianas que estavam presas na Rússia desde 2019 foram libertadas em 14 de agosto em uma troca de prisioneiros e relataram, em uma coletiva de imprensa em Kiev, os horrores que sofreram.
Yuliia Panina, Maryna Berezniatska e Svitlana Holovan foram detidas na região ocupada de Donetsk e acusadas de espionagem, extremismo e terrorismo, segundo informações das próprias ex-prisioneiras.
Yuliia Panina foi presa enquanto levava sua filha de 13 anos à escola. Ela foi levada a um prédio do Serviço Federal de Segurança da Rússia e depois à prisão de Izolyatsia, conhecida por torturas e abusos contra prisioneiros de guerra ucranianos.
“Para nós, o milagre aconteceu, e estamos aqui. Mas lá, na detenção, ainda há mulheres, pelo menos seis, que estão detidas há muito tempo”, disse Yuliia.
Svitlana Holovan, natural de Novoazovsk, foi presa em seu apartamento por ter familiares vivendo na Ucrânia controlada pelo governo. Um motivo suficiente para ser considerada suspeita pelas autoridades ilegais de ocupação.
“Ainda não consigo acreditar que este inferno, que dominou minha vida por seis anos, acabou. Quando vi todas essas pessoas nos recebendo quando chegamos de ônibus, senti emoções positivas que não sentia há seis anos”, afirmou.
Ela acrescentou:
“Rezei tanto para que isso acontecesse, e meu suplício finalmente acabou. Esperamos por este momento por muito tempo, sobrevivemos à tortura, mas a esperança sempre persistiu. Em breve poderei rever meus filhos, que cresceram muito, por isso minhas emoções, lágrimas e alegria se misturam.”
As filhas de Svitlana, Anna e Sofia, estão refugiadas na Alemanha. Um reencontro familiar está previsto nos próximos dias.
Maryna Berezniatska, diretora de um abrigo de cães, foi presa sob suspeita de cooperar com os serviços secretos ucranianos.
“Ainda estou digerindo tudo o que aconteceu. Na libertação, não conseguia – e ainda não consigo – expressar meus sentimentos. O mais terrível foi o sofrimento de nossas famílias na espera. Todas fomos fortes, mas foi difícil”, relatou.
Segundo Liudmyla Huseinova, diretora da ONG Numo Sisters, que organizou a coletiva, na última quinta-feira, as ex-prisioneiras necessitam de apoio psicológico e físico.
“Nos seis primeiros meses após a libertação ainda sentia picos de adrenalina. Psicólogos nos ajudam, e sou grata, mas quando não há onde dormir, isso não ajuda. Não acho normal, porque já são onze anos que pessoas retornam do cativeiro, e ainda não resolvemos esse problema.”
Viktor Missak, representante do procurador-geral, afirmou que os responsáveis por crimes de guerra estão sendo identificados e acusados à revelia.
“Um dia se sentarão no banco dos réus perante um tribunal ucraniano ou internacional, e serão julgados.”
Desde 2022, mais de 60 trocas de prisioneiros ocorreram entre a Rússia e a Ucrânia. A Ucrânia exige o retorno de todos os seus prisioneiros, mas a Rússia ainda não concordou com uma troca total.
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