Ucrânia lembra sobreviventes do Holocausto assassinados pela Rússia de Putin
“O mal que busca destruir as vidas de nações inteiras ainda existe no mundo hoje”, diz Zelensky
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky (foto), prestou no domingo, 26, véspera deste dia em que se completam 80 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, uma homenagem às vítimas do Holocausto, em Babi Yar, ravina em Kiev onde ocorreu um dos maiores massacres de judeus e civis da então União Soviética pelos nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial: em dois dias, 34 mil homens, mulheres e crianças foram fuzilados.
Zelensky colocou a primeira vela em um dos degraus da Menorá, monumento erguido no local depois que a Ucrânia se tornou soberana em 1991. Outras velas foram alocadas nos degraus pela embaixadora dos Estados Unidos na Ucrânia, Bridget Brink, e por representantes do corpo diplomático ucraniano. Rabinos ainda recitaram orações.
Ravina é uma fenda profunda, produzida no solo por erosão. Em português, também é chamada de voçoroca ou boçoroca. Babi Yar, em ucraniano e russo, significa “Ravina das Vovós”.
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Operação Barbarossa
A invasão alemã da então União Soviética, a partir de junho de 1941, recebeu o nome de Operação Barbarossa. A conquista da Ucrânia era fundamental no planejamento estratégico do regime de Adolf Hitler, porque, além do solo propício para a atividade agrícola, ela abria caminho para o avanço em direção a Moscou.
Dez dias após a tomada da capital ucraniana, militares alemães convocaram “todos os judeus residentes de Kiev e arredores” para que comparecessem à esquina das ruas Melnyk e Dokterivsky, na manhã de 29 de setembro.
Os judeus acreditaram que seriam deportados, mas foram fuzilados à beira da ravina, e seus corpos rolaram para o fundo do barranco.
“O mal ainda existe”
Zelensky escreveu no X nesta segunda-feira, 27:
“Em 27 de janeiro, o mundo honra a memória das vítimas do Holocausto. Foi a tentativa deliberada dos nazistas de apagar uma nação inteira — matar todo o seu povo e destruir tudo que lembrasse ao mundo a nação judaica. Seis milhões de vítimas.
O crime do Holocausto nunca deve ser repetido, mas, infelizmente, a memória dele está gradualmente desaparecendo. E o mal que busca destruir as vidas de nações inteiras ainda existe no mundo hoje.
Devemos todos lutar pela vida e lembrar que a indiferença é o terreno fértil para o mal. Devemos superar o ódio, que leva à crueldade e ao assassinato. Não devemos permitir que o esquecimento crie raízes. E é missão de todos fazermos todo o possível para garantir que o mal não prevaleça.
Na véspera deste Dia, juntamente com rabinos, representantes do corpo diplomático e a equipe do nosso estado, honramos a memória dos homens e mulheres, adultos e crianças — milhões que foram mortos no Holocausto.”
A guerra continua
Também nas redes sociais, embaixadas da Ucrânia em outros países lembraram nesta segunda os casos de Vanda Obiedkova e Borys Romanchenko, sobreviventes do Holocausto que acabaram assassinados pelas tropas russas de Vladimir Putin, durante a atual invasão do território ucraniano.
“A guerra da Rússia também tirou a vida daqueles que sobreviveram aos horrores do
Holocausto.
Vanda Obiedkova – A mãe de Vanda era judia. Vanda foi uma das sobreviventes da ocupação nazi de Mariupol durante a Segunda Guerra Mundial, escondendo-se nos porões da cidade. Foram nesses mesmos porões de Mariupol que a sua vida foi interrompida 80 anos depois, em 4 de abril de 2022, quando a artilharia e a aviação russas transformaram as ruas e os edifícios da cidade em ruínas.
Borys Romanchenko – Foi prisioneiro num dos maiores campos de concentração nazistas, Buchenwald. Além disso, foi mantido nos campos de Peenemünde, Dora e Bergen-Belsen. Ele trabalhou para preservar a memória dos crimes nazistas e passou os seus conhecimentos sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial às gerações futuras. A sua vida terminou aos 96 anos no seu apartamento em Kharkiv, que foi atacado pelas forças russas em 18 de março de 2022.”
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Comentários (1)
Mauro Seraphim
27.01.2025 14:55Incrível observar que há pessoas que não aprendem nada com os horrores da história.