“Trump vai enfrentar desafios maiores do que em 2017”

28.09.2026

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“Trump vai enfrentar desafios maiores do que em 2017”
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Alexandre Borges
5 minutos de leitura 12.02.2025 08:22 comentários
Mundo

“Trump vai enfrentar desafios maiores do que em 2017”

Victor Davis Hanson explica por que o segundo mandato de Trump será ainda mais difícil que o primeiro, com uma economia fragilizada, imigração em crise e resistência dentro do próprio governo

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Alexandre Borges
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“Trump vai enfrentar desafios maiores do que em 2017”
Foto: Reprodução

O historiador e analista político americano Victor Davis Hanson publicou artigo intitulado “MAGA agonistes” na revista The New Criterion emm que analisa os desafios que Donald Trump enfrentará em seu segundo mandato.

Hanson argumenta que, embora Trump tenha conseguido transformar o Partido Republicano e implementar parte de sua agenda, agora o cenário é ainda mais complicado: os EUA estão endividados como nunca, a imigração ilegal bateu recordes e a resistência ao governo — dentro e fora da burocracia federal — será feroz.

“A relação entre dívida e PIB atingiu um recorde de quase 125% – superando os piores anos da Segunda Guerra Mundial”, escreve Hanson, destacando que Trump terá de lidar com um país fragilizado economicamente.

A questão da imigração se tornou ainda mais explosiva: estima-se que 12 milhões de imigrantes ilegais tenham entrado nos EUA durante o governo Biden. O novo presidente enfrentará pressão para realizar deportações em massa, mas o historiador alerta que “a solução pode parecer mais drástica e cruel do que o problema”.

Hanson também aponta um dilema político inesperado: Trump teve um desempenho histórico entre eleitores hispânicos em 2024, conquistando entre 40% e 50% desse eleitorado. No entanto, medidas duras contra imigrantes ilegais podem afetar esse apoio. “Se a deportação incluir parentes e amigos de quem votou em Trump, o apoio a essa política pode despencar”, observa.

Na campanha de 2024, Trump prometeu cortes maciços de impostos, incluindo isenção para gorjetas de trabalhadores do setor de serviços, isenção total para militares, policiais e bombeiros e novas reduções para empresas. “Se implementadas, essas medidas poderiam custar mais de US$ 1 trilhão por ano em perda de arrecadação federal”, alerta Hanson.

O problema é que, com um déficit já projetado em US$ 1,83 trilhão para 2024, não há clareza sobre como Trump fechará essa conta. Ele descartou cortes na Previdência Social e no Medicare, e planos como a taxação de importações e o corte de gastos públicos ainda são incertos. “Nenhuma administração anterior conseguiu cortar o déficit enquanto reduzia drasticamente os impostos”, lembra Hanson.

O historiador lembra que, no primeiro mandato, Trump enfrentou forte oposição dentro do próprio governo, algo que seus aliados chamam de “estado profundo” – a burocracia federal permanente que resistiu a suas políticas.

Para evitar esse cenário novamente, Trump escolheu para cargos importantes figuras que não vêm do establishment, como Pete Hegseth para o Pentágono e Kash Patel para o FBI. “Só que há um problema: os outsiders são imunes à influência da burocracia, mas podem não ter o conhecimento técnico necessário para enfrentá-la”, pondera Hanson.

Entre outras nomeações, Trump indicou Tulsi Gabbard para a Diretoria de Inteligência Nacional e Robert F. Kennedy Jr. para a Secretaria de Saúde, numa tentativa de consolidar a ala populista e anti-sistema de sua coalizão.

A política externa será um teste de fogo

O maior desafio de Trump, segundo Hanson, será no cenário internacional, especialmente nas relações com China, Rússia, Ucrânia e o Oriente Médio.

“O mundo hoje é muito mais perigoso do que quando Trump deixou o cargo em 2021”, escreve o historiador, citando o fortalecimento da aliança entre Rússia, China, Irã e Coreia do Norte e o desgaste militar dos EUA após anos de apoio à Ucrânia.

Trump prometeu acabar rapidamente com a guerra entre Rússia e Ucrânia, possivelmente negociando diretamente com Vladimir Putin. Um cenário provável seria o reconhecimento da anexação da Crimeia e partes do Donbas pela Rússia em troca de garantias de segurança para a Ucrânia.

“Se Trump simplesmente cortar o apoio a Kiev, a Ucrânia pode ser derrotada rapidamente, e o custo político para os republicanos será alto”, analisa Hanson.

No Oriente Médio, Hanson acredita que Trump deve endurecer contra o Irã e seus aliados, como os Houthis e o Hamas. “A única forma de restaurar a dissuasão americana é pelo uso desproporcional da força”, afirma.

Para Hanson, o segundo governo Trump será ainda mais turbulento que o primeiro. “Desta vez, ele conhece bem o tipo de oposição que enfrentará, após dois impeachments, cinco processos judiciais, duas tentativas de assassinato e três campanhas presidenciais brutais”, escreve.

O sucesso da agenda trumpista dependerá da capacidade do presidente de equilibrar pragmatismo e radicalismo, sem alienar sua base nem provocar uma resistência extrema do sistema. “O maior risco para Trump não é apenas a sabotagem de seus inimigos, mas os paradoxos internos de sua própria revolução.”

Quem é Victor Davis Hanson

Victor Davis Hanson é um historiador e comentarista político americano, especialista em história militar e política contemporânea dos EUA.

Professor emérito da Universidade Estadual da Califórnia, ele é membro sênior do Instituto Hoover, da Universidade Stanford. Autor de diversos livros, Hanson se tornou um dos mais influentes analistas da política americana na era Trump.

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