Trump suspende apoio militar à Ucrânia
A decisão do governo americano abrange o cancelamento do envio de uma variedade de armamentos, incluindo dezenas de mísseis de defesa aérea Patriot
O presidente americano, Donald Trump, além de se recusar a fornecer armamento a Ucrânia, anunciou a suspensão de transferências previamente acordadas por seu antecessora, Joe Biden.
O Pentágono confirmou na última terça-feira, 2 de julho, que o envio de equipamentos militares essenciais para a defesa ucraniana foi interrompido, justificando que os Estados Unidos e seus aliados necessitam desses recursos com maior urgência.
A decisão do governo americano abrange o cancelamento do envio de uma variedade de armamentos, incluindo dezenas de mísseis de defesa aérea Patriot, mísseis de precisão GMLRS, munições para artilharia, lançadores Stinger, mísseis antiblindados Hellfire para aeronaves F-16, além de lançagranadas e outros itens essenciais.
Ofensiva russa
Esta notícia é especialmente preocupante para as autoridades ucranianas, considerando o aumento das ofensivas russas.
Nos últimos seis meses, Moscou triplicou o uso de drones explosivos e mísseis em ataques massivos contra cidades ucranianas.
Em junho, o exército russo lançou 5.277 drones e 233 mísseis, representando um aumento de 32% no uso de veículos não tripulados e o dobro no número de foguetes em comparação a maio.
Reunião extraordinária
Diante dessa situação, o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia convocou uma reunião urgente com John Ginkel, representante da Embaixada dos EUA em Kiev.
O ministério enfatizou que qualquer atraso ou interrupção no suporte às capacidades defensivas da Ucrânia apenas incentivaria a continuidade da agressão russa, ao invés de promover um caminho para a paz.
Os sistemas Patriot são considerados cruciais para as defesas aéreas ucranianas contra mísseis. No entanto, sua quantidade disponível está cada vez mais limitada.
Zelensky sob pressão
Em resposta à situação crítica, Zelensky, presidente da Ucrânia, abordou Trump durante a cúpula da Otan em junho, manifestando interesse em adquirir armamentos americanos, especialmente os sistemas Patriot, com financiamento proveniente de aliados europeus. Trump indicou que exploraria as opções disponíveis.
O recente anúncio do Pentágono sugere que as possibilidades de envio de armas para a Ucrânia são bastante restritas.
Este não é um caso isolado; Pete Hegseth, secretário da Defesa dos EUA, já havia confirmado anteriormente que a entrega de 20.000 mísseis antidrones planejados durante a administração Biden foi adiada para ser redirecionada ao Oriente Médio para proteger bases americanas e Israel.
A justificativa apresentada pela porta-voz da Casa Branca, Anna Kelly, destacou que essa decisão prioriza os interesses americanos, após avaliação dos Departamentos de Apoio Nacional e Assistência internacional.
Essa decisão é vista como benéfica para a Rússia. Phillips P. O’Brien, professor de estudos estratégicos da Universidade de Saint Andrews, comentou que se Putin pudesse elaborar uma lista das armas que deseja ver bloqueadas para a Ucrânia, certamente incluiria os itens agora suspensos pelo governo Trump.
Atualmente, um terço do arsenal ucraniano é composto por armamentos fornecidos pelos Estados Unidos. Desde que Trump assumiu novamente o poder em janeiro deste ano, a Ucrânia tem intensificado sua produção interna de munições e drones e tem buscado cada vez mais suporte dos aliados europeus.
Contudo, Zelensky admitiu recentemente que não consegue imaginar como seria continuar o conflito sem o auxílio americano.
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Comentários (1)
Denise Pereira da Silva
02.07.2025 15:43Trump cada vez mais revela seu mau-caratismo ao mundo. Não tendo conseguido negociar a contento com Zelensky a exploração das terras raras ucranianas, resolve então dar várias mãozinhas, de modo descarado, a Putin na invasão da Ucrânia. Deste modo, depois que Putin tomar posse territorial da Ucrânia, Trump poderá mais facilmente negociar com Putin a exploração das terras raras ucranianas.