Trump rebate chefe de contraterrorismo: “Irã era uma tremenda ameaça”
Joe Kent deixou o cargo por não apoiar a guerra contra o Irã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rebateu nesta terça-feira, 17, o agora ex-chefe do setor de contraterrorismo dos EUA Joe Kent, que deixou o cargo por não apoiar a guerra contra o Irã.
Ao receber o primeiro-ministro da Irlanda, Micheál Martin, na Casa Branca, Trump disse que o Irã era uma “tremenda ameaça” a todos os países da Otan.
“O Irã era uma tremenda ameaça para praticamente todos os países da Otan, e o problema é que, se me dissessem que não era uma ameaça e, portanto, não quisessem ajudar, eu diria que sim”, afirmou.
Trump então voltou a cutucar os integrantes da Otan que estão relutantes em enviar navios de guerra ao Estreito de Ormuz.
“Mas quando dizem que era uma ameaça, e uma grande ameaça, acho que nenhum deles, não conheço nenhum, disse que não era uma ameaça. Mas quando dizem que era uma ameaça, mas que não vão ajudar, acho que são muito tolos”, disse.
O presidente americano afirmou ainda ter gostado da saída de Joe Kent do setor de contraterrorismo.
“Bem, eu li a declaração dele. Sempre achei que ele fosse um cara legal, mas sempre achei que ele fosse fraco em segurança. Muito fraco em segurança. Eu não o conhecia bem, mas achei que ele parecia ser um cara bem legal. Mas quando li a declaração, percebi que é uma coisa boa que ele tenha saído, porque ele disse que o Irã não era uma ameaça. O Irã era uma ameaça. Todos os países perceberam a ameaça que o Irã representava”, disse.
A renúncia
Jor Kent deixou o cargo por não poder, “em sã consciência”, apoiar a guerra contra o Irã, dizendo ser evidente que o país entrou no conflito “devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano”.
“Após muita reflexão, decidi renunciar ao meu cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, com efeito a partir de hoje.
Não posso, em sã consciência, apoiar a guerra em curso no Irã. O Irã não representava nenhuma ameaça iminente à nossa nação, e é evidente que iniciamos essa guerra devido à pressão de Israel e de seu poderoso lobby americano.
[…]No início deste governo, altos funcionários israelenses e membros influentes da mídia americana lançaram uma campanha de desinformação que minou completamente a sua plataforma ‘América Primeiro’ e semeou sentimentos pró-guerra para incentivar um conflito com o Irã. Essa câmara de eco foi usada para enganá-los, fazendo-os acreditar que o Irã representava uma ameaça iminente aos Estados Unidos e que, se atacássemos agora, haveria um caminho claro para uma vitória rápida. Isso foi uma mentira e é a mesma tática que os israelenses usaram para nos arrastar para a desastrosa guerra do Iraque, que custou à nossa nação a vida de milhares de nossos melhores homens e mulheres. Não podemos cometer esse erro novamente.
[…] Rezo para que vocês reflitam sobre o que estamos fazendo no Irã e para quem estamos fazendo isso. A hora de agir com ousadia é agora. Vocês podem reverter o curso e traçar um novo caminho para nossa nação, ou podem nos permitir que afundemos ainda mais rumo ao declínio e ao caos. As cartas estão em suas mãos”, concluiu.
Leia em Crusoé: O labirinto de Trump no Irã
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