Trump quer US$ 10 bilhões por reportagem com suposta carta a Epstein
Presidente dos EUA processa o jornal Wall Street Journal, a empresa controladora Dow Jones e o magnata Rupert Murdoch
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (foto), anunciou nesta sexta-feira, 18, um processo por difamação de ao menos US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) contra o Wall Street Journal, a empresa controladora Dow Jones e o magnata Rupert Murdoch.
A ação judicial foi motivada pela publicação de uma reportagem que associa Trump a uma carta de aniversário supostamente enviada a Jeffrey Epstein em 2003. Segundo o jornal, a correspondência continha o nome do republicano e um desenho de uma mulher nua com um trecho que sugeria intimidade entre os dois:
“Um amigo é uma coisa maravilhosa. Feliz aniversário – e que cada dia seja um novo segredo maravilhoso.”
Trump nega ter escrito a carta ao bilionário acusado de comandar rede de tráfico sexual envolvendo menores de idade. Em postagem na rede Truth Social, classificou a reportagem como “falsa, maliciosa, difamatória” e afirmou:
“Acabamos de entrar com um processo poderoso contra todos os envolvidos na publicação da falsa, maliciosa, difamatória e mentirosa ‘reportagem’ no jornal inútil que é o Wall Street Journal. Espero que Rupert e seus ‘amigos’ estejam ansiosos pelas muitas horas de depoimentos e testemunhos que terão de prestar neste caso.”
O processo, apresentado na Flórida, inclui também os dois jornalistas que assinam a reportagem.
Para o presidente dos EUA, “os acusados inventaram esta história para difamar o caráter e a integridade do presidente Trump e retratá-lo de maneira enganosa”.
A Dow Jones, empresa responsável pelo jornal e integrante do grupo de mídia de Rupert Murdoch, reagiu:
“Temos plena confiança no rigor e na precisão de nosso trabalho jornalístico e nos defenderemos vigorosamente contra qualquer ação”, disse um porta-voz à BBC.
Trump afirmou ainda que Murdoch e os editores foram alertados de que seriam processados se levassem a reportagem adiante.
Apesar de admitir que o bilionário australiano não tem controle direto sobre o conteúdo editorial do Wall Street Journal, o presidente dos EUA incluiu seu nome na ação.
Caso Epstein
A reportagem foi publicada em meio a uma nova pressão sobre o governo dos EUA em torno do caso Epstein — cuja morte, após ser preso por acusações de tráfico sexual de menores, ainda alimenta teorias conspiratórias.
A administração Trump tem sido cobrada por aliados e parlamentares a demonstrar mais transparência sobre a condução do caso.
Nesta semana, o Departamento de Justiça pediu a um juiz que libere documentos e transcrições de um júri que, em 2019, analisou as acusações contra Epstein.
Trump também ordenou à procuradora-geral Pam Bondi que solicitasse formalmente a liberação desses materiais. O governo quer ainda a divulgação de informações sobre Ghislaine Maxwell, associada de Epstein já condenada.
Há também pressão no Congresso. Deputados de diferentes espectros ideológicos apoiam um mecanismo legislativo — conhecido como discharge petition — para obrigar a procuradora-geral a divulgar os documentos em posse do Departamento de Justiça.
Apesar da movimentação, não está claro quando — ou se — os documentos virão a público.
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