Trump quer classificar Antifa como organização terrorista
Presidente anuncia intenção de classificar o movimento como “organização terrorista significativa”;
O presidente americano Donald Trump afirmou nesta quarta, 17, que pretende designar a Antifa como “organização terrorista”.
A declaração foi publicada na rede Truth Social. Trump também disse que recomendará investigações sobre quem financia o movimento.
O anúncio ocorre oito dias após o homicídio do ativista conservador Charlie Kirk durante evento na Utah Valley University.
A execução da promessa enfrenta entraves legais.
A legislação americana que rege a lista de Organizações Terroristas Estrangeiras é aplicada pelo Departamento de Estado e alcança apenas entidades fora do país.
Não existe lista equivalente para grupos domésticos, o que limita sanções formais desse tipo em território americano.
Especialistas afirmam que a Casa Branca não pode, por decreto, criar uma categoria de “organização terrorista doméstica” com efeitos legais idênticos aos da lista externa.
Há ainda debate sobre o objeto de eventual designação.
Em audiências no Congresso, o diretor do FBI, Christopher Wray, descreveu a Antifa como um movimento descentralizado, sem liderança hierárquica, mais próximo de uma ideologia do que de uma organização estruturada.
O Departamento de Justiça, comandado pela procuradora-geral Pam Bondi desde fevereiro, não informou prazos ou atos previstos.
Segundo a legislação vigente, eventuais ações federais dependeriam de tipificações penais já existentes e de investigações individuais.
Tentativas de classificar a Antifa como terrorista surgiram no Congresso.
Em janeiro, a deputada Marjorie Taylor Greene apresentou uma resolução para considerar condutas atribuídas à Antifa como terrorismo doméstico e designar o movimento como organização terrorista doméstica.
A proposta segue no Comitê Judiciário da Câmara, sem votação no plenário.
A reação foi imediata.
Entidades de defesa da liberdade de expressão e juristas criticaram a iniciativa, apontando risco de atingir manifestações políticas protegidas pela Primeira Emenda.
Aliados de Trump defenderam o anúncio, citando episódios de violência em protestos atribuídos a grupos “antifascistas” desde anos anteriores.
A Antifa é descrita em publicações acadêmicas e por órgãos de segurança como um conjunto difuso de coletivos e indivíduos radicalizados.
Sem estrutura nacional, atua de forma local e ocasionalmente coordenada por afinidade ideológica, com referências ao anarquismo e ao comunismo.
Essa natureza descentralizada tem sido citada por autoridades policiais para justificar investigações focadas em pessoas e fatos, e não em uma entidade nacional.
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