Trump, Putin e Netanyahu são “predadores”, diz Anistia Internacional
ONG britânica acusa chefes de Estado de substituir diplomacia por conquista e violência em escala global
A Anistia Internacional acusou os líderes de três das maiores potências mundiais de promover uma ruptura com a ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.
Em seu relatório anual apresentado em Londres, a organização classificou Donald Trump, Vladimir Putin e Binyamin Netanyahu como líderes que operam sob uma lógica de “conquista ditada pela sede de domínio econômico”, nas palavras da secretária-geral da entidade, Agnès Callamard.
Acusações contra as três potências
O documento aponta condutas específicas para cada governo. Os Estados Unidos são acusados de realizar “homicídios extrajudiciais além de suas fronteiras”, além de ataques que a ONG considera ilegais contra Venezuela e Irã, e de fazer ameaças territoriais à Groenlândia.
A Rússia aparece no contexto mais amplo de rejeição às normas multilaterais.
Já Israel “continuou seu genocídio contra a população de Gaza, apesar do acordo de cessar-fogo de outubro de 2025”, sem que a comunidade internacional adotasse, segundo o relatório, “medidas significativas” em resposta.
A organização afirma que os três governos compartilham uma estratégia comum: substituir a diplomacia pela guerra e operar fora dos marcos legais estabelecidos desde 1948.
Instituições internacionais sob ataque
O relatório descreve 2025 como o ano em que as instituições multilaterais sofreram os piores danos desde sua criação. Entre os exemplos citados estão as sanções impostas pelos EUA a magistrados e promotores da Corte Penal Internacional e a retirada americana de dezenas de organismos e tratados internacionais, incluindo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas.
A secretária-geral da ONG também menciona o Irã no contexto regional. Segundo o documento, o país realizou “represálias indiscriminadas” no Oriente Médio e, em janeiro de 2026, as autoridades iranianas “massacraram manifestantes no que provavelmente foi a repressão desse tipo mais mortal em décadas”.
Covardia europeia e resistência civil
Callamard fez críticas à Europa, afirmando que quase todos os líderes do continente demonstraram “covardia” diante dos governantes citados no relatório. As exceções apontadas foram Espanha e Eslovênia, únicos países da União Europeia que classificam as operações militares israelenses em Gaza como “genocídio”.
Em contrapartida, a Anistia Internacional destacou formas de resistência da sociedade civil. Estivadores na Espanha, na França e no Marrocos atuaram para “perturbar o envio de armas para Israel”. Nos Estados Unidos, cidadãos se opuseram às operações do Serviço de Imigração (ICE), “às vezes arriscando a própria vida”, conforme descreve o documento.
A organização encerra com uma convocação direta: “Os Estados, organismos internacionais e a sociedade civil devem rejeitar a política de conciliação a qualquer preço e resistir coletivamente a esses ataques”.
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