Trump promete seguro comercial marítimo no Golfo
Após ataques ao Irã, Washington anuncia cobertura para petroleiros no estreito de Hormuz e não descarta uso da Reserva Estratégica de Petróleo
O presidente Donald Trump determinou nesta terça-feira, 3, que a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos Estados Unidos passe a oferecer seguro contra riscos políticos e garantias financeiras para embarcações que transitam pelo Golfo. Nem mesmo uma escolta naval de petroleiros pelo estreito de Hormuz está descartada.
A decisão foi tomada dias após forças israelenses e americanas iniciarem ataques contra o Irã, provocando uma série de incidentes que bloquearam ou atrasaram embarques de petróleo na região. Vários petroleiros foram danificados, e outros permaneceram parados sem conseguir seguir viagem.
Seguro privado recua, Washington intervém
O estreito de Hormuz, passagem entre o Irã e Omã, responde pelo escoamento de aproximadamente um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo. Com o agravamento do conflito, seguradoras privadas elevaram os prêmios de risco de guerra a patamares que tornaram a rota economicamente inviável para parte dos operadores – algumas chegaram a suspender a cobertura.
O resultado prático foi o adiamento de viagens e a busca por rotas alternativas, com impacto direto nos preços do petróleo nos mercados internacionais. A intervenção do governo americano visa justamente preencher o vácuo deixado pelo setor privado.
A estratégia não é inédita. Nos anos 1980, durante o conflito entre Irã e Iraque, Washington adotou procedimento semelhante: mudou a bandeira de petroleiros e organizou escoltas navais quando as seguradoras se retiraram. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, o governo americano também emitiu apólices para manter o fluxo marítimo ativo.
Pressão nos preços e resposta política
Trump afirmou, em publicação nas redes sociais, que “aconteça o que acontecer, os Estados Unidos garantirão o livre fluxo de energia para o mundo”, e sinalizou que outras medidas estão em preparação.
O secretário de Estado Marco Rubio confirmou na segunda-feira, 2, que um plano estava em andamento. “A partir de amanhã vocês nos verão implementando essas fases para tentar mitigar isso”, disse Rubio a jornalistas, sem detalhar as ações previstas.
O próprio Trump reconheceu que os consumidores americanos podem enfrentar um período de combustível mais caro. “Mas assim que isso acabar, esses preços vão cair, acredito, para níveis ainda mais baixos do que antes”, declarou o presidente a repórteres.
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