Horário de verão pode voltar em 2026? O que diz o Ministério de Minas e Energia sobre a mudança no Brasil
O debate sobre o retorno do Horário de Verão no Brasil segue aberto, mas, na prática, a medida está suspensa desde 2019
O debate sobre o retorno do Horário de Verão no Brasil segue aberto, mas, na prática, a medida está suspensa desde 2019.
Com mudanças no consumo de energia, no clima e na estrutura do sistema elétrico, o tema deixou de ser apenas questão de preferência e passou a depender sobretudo de dados técnicos e planejamento.
O que é o Horário de Verão e qual era sua função principal?
O Horário de Verão consiste em adiantar os relógios em uma hora nos meses mais quentes, normalmente entre a primavera e o verão.
A ideia era aproveitar melhor a luz natural no fim da tarde, reduzindo o consumo no início da noite e aliviando o “pico de demanda” do sistema elétrico.
Durante décadas, essa estratégia foi usada para diminuir o acionamento de usinas térmicas, mais caras e poluentes, e distribuir melhor o consumo ao longo do dia. Em um sistema fortemente dependente de hidrelétricas, a medida era vista como importante ferramenta de gestão da rede.

Por que o Horário de Verão perdeu eficácia no Brasil?
Com a popularização do ar-condicionado e de outros equipamentos de refrigeração, o pico de demanda migrou do início da noite para as tardes mais quentes. Assim, o adiantamento dos relógios deixou de atuar diretamente sobre o horário de maior consumo, reduzindo seu efeito sobre a rede.
Estudos do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) indicaram que a economia de energia e o alívio na demanda de ponta se tornaram pequenos. Na avaliação de técnicos do governo e do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), o ganho não compensa mais o esforço logístico e de adaptação da população.
O Horário de Verão ainda é necessário para o sistema elétrico?
Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME) e o ONS, o sistema elétrico hoje é mais robusto, com maior oferta, diversificação da matriz e melhorias na transmissão. Reservatórios são monitorados com mais precisão, e modelos de previsão ajudam a planejar o atendimento em diferentes cenários hidrológicos.
A capacidade de suprimento está projetada como suficiente ao menos no curto prazo, reduzindo a necessidade de medidas excepcionais. Assim, o Horário de Verão passou a ser visto como instrumento eventual, a ser considerado apenas em situações de risco real ao abastecimento.
Quais estratégias substituem o Horário de Verão atualmente?
Em vez de alterar o relógio oficial, o setor elétrico aposta em ações operacionais e de eficiência. Grandes hidrelétricas, como Itaipu e os aproveitamentos do rio São Francisco, ajustam sua operação para preservar reservatórios e suavizar picos de demanda.

Programas de eficiência energética e de resposta da demanda complementam essa estratégia, com iniciativas como:
- Incentivos à troca de equipamentos antigos por modelos mais eficientes;
- Campanhas de uso racional de energia em períodos críticos;
- Contratos para reduzir consumo de grandes clientes em horários específicos;
- Maior integração de fontes eólica e solar à matriz elétrica.
Em que situação o Horário de Verão poderia voltar a ser adotado?
Autoridades do setor indicam que o retorno do Horário de Verão seria cogitado apenas em contexto de forte estresse no sistema. Isso incluiria períodos prolongados de seca severa, com impacto relevante nos reservatórios e risco concreto de abastecimento.
Nesse cenário, a medida poderia integrar um pacote emergencial, ao lado de ações de contenção de consumo e reforço da oferta. Até lá, o tema permanece em avaliação permanente, acompanhando a evolução do consumo, do clima e da infraestrutura elétrica nacional.
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