Trump nega plano de ataque terrestre à Venezuela
Casa Branca comunica ao Congresso que não vê base legal para intervenção em solo venezuelano, apesar de escalada militar no Caribe
O governo dos Estados Unidos garantiu que não existe, neste momento, um planejamento para lançar operações militares dentro da Venezuela. A decisão foi comunicada durante uma reunião confidencial realizada na quarta-feira, 5, com representantes do Congresso. De acordo com a Casa Branca, não há justificativa jurídica que sustente ataques contra alvos em território.
A avaliação foi repassada pelo secretário de Estado, Marco Rubio, e pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth. A reunião contou também com a presença de um funcionário do Escritório de Assessoria Jurídica da Casa Branca. Fontes da CNN deram a informação e indicaram que, por enquanto, uma invasão não ocorrerá.
Impasse jurídico e divisões em Washington
A cúpula da administração concluiu que a “ordem de execução” que lançou a atual campanha militar americana no Caribe não se estende a alvos terrestres. Representantes do Legislativo foram notificados de que o parecer produzido pelo Escritório de Assessoria Jurídica do Departamento de Justiça (OLC) para justificar ataques contra navios de supostos narcotraficantes não permite operações dentro da Venezuela.
Apesar da restrição imediata, futuras ações não estão descartadas. O governo possui autorização para combater integrantes de 24 cartéis e organizações criminosas na América Latina, segundo material produzido pelo OLC.
No entanto, uma autoridade americana revelou que a administração busca um parecer jurídico separado do OLC. O objetivo é obter um embasamento para realizar ataques terrestres sem a necessidade de consultar o Congresso.
O debate sobre a legalidade de uma ofensiva militar em solo venezuelano expôs divisões dentro do governo em Washington.
De acordo com o jornal The New York Times, o governo dos EUA tem considerado um amplo conjunto de alternativas para uma eventual ação militar na Venezuela. Embora Donald Trump não tenha formalizado uma decisão sobre de que maneira daria prosseguimento às operações, aliados defendem a deposição do ditador Nicolás Maduro com base em várias justificativas. O combate aos cartéis de drogas é o objetivo declarado; o interesse nas reservas petrolíferas, não exatamente.
Muitos conselheiros do alto escalão pressionam pela remoção de Maduro, mas o presidente hesita, temendo que a operação pudesse fracassar ou colocar tropas americanas em risco.
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Escalada militar no Caribe continua
Apesar de desconsiderar a invasão neste momento, a presença militar americana no Caribe tem sido gradualmente intensificada. O deslocamento de tropas elevou a preocupação quanto à possibilidade de uma ofensiva.
O aumento da presença militar inclui a chegada iminente do porta-aviões USS Gerald R. Ford e seu grupo de ataque. Fontes garantem que este reforço se destina apenas a apoiar as operações antidrogas e a atividades de coleta de inteligência.
A operação configura a maior mobilização militar dos Estados Unidos na região em décadas. A frota reforça o poder de fogo americano, caso o presidente decida ordenar bombardeios por caças e mísseis de cruzeiro de longo alcance.
Analistas militares citados pelo Wall Street Journal afirmam que o ritmo lento da navegação e os exercícios adicionais da frota indicam que Washington ainda não decidiu sobre uma intervenção direta. Um especialista do Hudson Institute avaliou que as forças necessitam garantir a prontidão para o tipo de operação que pode ser exigida no Caribe.
Um informante ressaltou que a política atual pode ser alterada: “O que é verdade hoje pode muito bem não ser amanhã”, ao discutir a posição de Trump, que ainda não finalizou a estratégia para lidar com a Venezuela.
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