Trump libera megaprojeto de mineração no Alasca para reduzir dependência da China
Governo americano investe 35,6 milhões de dólares e se torna sócio de mineradora canadense
O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira a liberação do projeto Ambler Road, no Alasca, que prevê a construção de uma estrada de 340 quilômetros até o distrito minerador de Ambler, região com uma das maiores reservas não exploradas de cobre, zinco, cobalto e outros metais estratégicos do mundo.
A medida foi autorizada por ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump, revertendo decisão do governo Biden que havia bloqueado o empreendimento por motivos ambientais.
O projeto inclui um investimento público de 35,6 milhões de dólares na empresa canadense Trilogy Metals, que detém direitos de exploração na área.
Com o aporte, o governo americano passa a ter 10 por cento da companhia e opção de ampliar a participação para até 85 por cento.
Segundo a Casa Branca, o objetivo é reduzir a dependência dos Estados Unidos de importações de minerais considerados essenciais para a economia e a segurança nacional.
Em comunicado, o governo afirmou que a estrada permitirá acesso a uma das maiores faixas de cobre e zinco ainda intocadas do planeta. O texto destaca também reservas significativas de prata, ouro, chumbo e cobalto.
A abertura do projeto faz parte de uma estratégia para garantir fornecimento interno de matérias-primas usadas em tecnologias de ponta e na transição energética.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que o país importa todo o gálio consumido internamente.
O gálio é um metal raro usado na fabricação de chips, painéis solares e luzes de LED, além de componentes de satélites e radares militares. No caso do cobalto, usado em baterias de íons de lítio, 76 por cento vêm de fora.
O zinco, aplicado em ligas metálicas e revestimentos contra corrosão, tem 73 por cento de origem estrangeira. Já o cobre, essencial para a geração e transmissão de energia elétrica, tem 45 por cento importado.
O governo Trump sustenta que a exploração no Alasca é fundamental para garantir autonomia em setores estratégicos e reduzir a influência da China, principal fornecedora global de minerais e metais de alta tecnologia.
Ambientalistas alertam para o risco de impactos permanentes sobre o ecossistema do Ártico e comunidades indígenas que dependem da preservação da região.
A decisão representa uma mudança na política de mineração dos Estados Unidos e reforça a aposta do governo em ampliar a produção doméstica de recursos críticos.
O Departamento do Interior informou que os primeiros trabalhos de infraestrutura devem começar ainda neste ano, após a conclusão dos estudos de impacto ambiental exigidos por lei.
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