Após telefonema, Trump e Putin confirmam novo encontro
Este anúncio ocorre um dia antes da visita do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, à Casa Branca
Dois meses após a cúpula realizada no Alasca, Donald Trump pretende reunir-se novamente com Vladimir Putin para discutir possibilidades de encerramento do conflito na Ucrânia.
Trump revelou que o encontro ocorrerá em Budapeste, destacando a natureza positiva da conversa que teve com Putin, que durou mais de duas horas.
Embora ainda não tenha sido definida uma data específica para o encontro, Trump mencionou que deve ocorrer dentro das próximas duas semanas.
O planejamento para a reunião será coordenado pelo Secretário de Estado Marco Rubio, conforme confirmado por um assessor de Putin.
“A Hungria é a ilha da paz!”
O Primeiro-Ministro húngaro, Viktor Orban, expressou satisfação em ser o anfitrião desse evento. Em uma postagem na plataforma X, Orban classificou o encontro entre os líderes americano e russo como um “cúpula pela paz”, afirmando também: “A Hungria é a ilha da paz!”.
A Hungria já havia sido considerada como local para o encontro anterior entre Trump e Putin, que aconteceu em agosto passado em Anchorage, no Alasca.
Orban é reconhecido como um dos críticos mais severos do governo de Kiev dentro da União Europeia e da Otan e não se opõe a que EUA e Rússia cheguem a um acordo de paz sem a participação da Ucrânia.
Além disso, Putin não enfrenta riscos legais relacionados ao mandado de prisão emitido pelo Tribunal Penal Internacional (TPI) em função de supostos crimes de guerra, pois Orban já declarou anteriormente que considera o TPI uma corte política e anunciou a intenção da Hungria de se retirar do Estatuto de Roma em 2025.
No entanto, permanece incerta a forma como Putin realizará sua viagem até Budapeste. O trajeto direto de Moscou para a capital húngara passa pelo espaço aéreo polonês ou romeno, ambos aliados da Ucrânia no conflito.
Desde o início da guerra, o espaço aéreo desses países está fechado para aeronaves russas. Um desvio mais longo envolveria uma rota através do Mar Negro, Turquia, Bulgária e Sérvia, mas a Bulgária também restringiu voos provenientes da Rússia desde o início do conflito.
Antecipando-se a Zelensky
Conforme relatado por fontes do governo ucraniano, o telefonema de quinta-feira foi solicitado por Putin com o intuito de antecipar-se a Zelensky.
O ditador russo elogiou extensivamente Trump por suas tentativas de mediação no conflito em Gaza durante a conversa.
A recente irritação de Trump com a estratégia russa de postergar negociações para um cessar-fogo tem sido notória.
Após o fracasso da cúpula no Alasca, Trump sinalizou à Ucrânia que poderia realizar ataques contra alvos dentro da Rússia.
Mísseis de cruzeiro Tomahawk
Ele também não descartou a possibilidade de fornecer mísseis de cruzeiro Tomahawk à Ucrânia, considerados uma “arma extremamente ofensiva”. Os custos desse armamento seriam cobertos pelos aliados europeus da Otan e pelo Canadá.
Fontes próximas ao governo ucraniano afirmam que essa ameaça pode ter pressionado Moscou a retomar as conversas. “É evidente que Moscou deseja dialogar imediatamente sempre que os Tomahawks são mencionados”, comentou Zelensky ao chegar próximo a Washington.
A assessoria de Zelensky demonstrou confiança na continuidade do apoio americano à Ucrânia.
De acordo com Andri Jermak, um dos principais conselheiros do presidente ucraniano, ele e Trump mantiveram conversas produtivas na semana anterior e Zelensky reiterou sua disposição para se reunir diretamente com Putin em qualquer lugar do mundo — exceto na Rússia ou na Bielorrússia. Porém, tal proposta foi recusada por Putin em ocasiões anteriores.
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