Trump diz que Índia vai parar de comprar petróleo russo
Governo indiano fala em negociações; Tesouro dos EUA pressiona Japão a cortar energia de Moscou
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta, 15, em Washington, que o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, garantiu que o país vai interromper as compras de petróleo da Rússia “em curto período de tempo”.
Segundo Trump, a medida faz parte da estratégia da Casa Branca para reduzir as receitas energéticas de Moscou e acelerar o fim da guerra na Ucrânia.
Em conversa com repórteres no Salão Oval, Trump disse ter recebido a promessa direta de Modi e descreveu a mudança como “um grande passo”
O presidente afirmou que a interrupção não será “imediata”, chamando o ajuste de “processo” que “vai terminar em breve”. Ele acrescentou que pretende obter compromisso semelhante do governo chinês para cortar as importações de combustíveis russos.
Um porta-voz do governo da Índia respondeu que as conversas com os Estados Unidos “estão em andamento” e que Washington “manifestou interesse em aprofundar a cooperação energética com a Índia”.
O funcionário destacou que a prioridade do governo é “proteger o consumidor indiano em um cenário volátil de energia”, e que as políticas de importação seguem essa diretriz.
A Casa Branca tem usado o comércio como instrumento de pressão. Desde agosto, o governo americano elevou tarifas sobre produtos indianos, e Trump associou publicamente as medidas à compra de petróleo e equipamentos militares da Rússia.
Ele afirma que reduzir a receita de energia é essencial para cortar o financiamento da campanha militar de Vladimir Putin na Ucrânia.
Além da Índia, os Estados Unidos pressionam aliados asiáticos.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse que comunicou ao ministro das Finanças do Japão, Katsunobu Kato, a “expectativa” de que o governo japonês encerre as importações de petróleo e gás russos. A medida faz parte do esforço do G7 para diminuir a dependência energética de Moscou.
Desde 2022, a Índia se consolidou como um dos principais destinos do petróleo russo, atraída por grandes descontos após as sanções impostas pelo Ocidente.
Autoridades indianas dizem que o fornecimento barato ajuda a conter custos internos em uma economia de alto consumo de combustíveis.
A China e a Turquia também estão entre os maiores compradores de petróleo e derivados da Rússia.
Trump afirmou que as negociações com o governo indiano avançaram nas últimas semanas, apesar das tensões sobre tarifas e armamentos.
Ele elogiou Modi, chamando-o de “grande líder”, e disse que as equipes discutem alternativas de fornecimento, incluindo o aumento das compras de petróleo e gás dos próprios Estados Unidos.
O governo da Índia reafirma sua posição de neutralidade na guerra e evita compromissos que possam afetar o abastecimento. Técnicos do Ministério do Petróleo dizem que a Rússia é hoje um fornecedor dominante e que qualquer substituição exigirá tempo e ajustes logísticos.
Autoridades russas afirmaram nesta quinta, 16, que estão “confiantes” na continuidade da parceria energética com a Índia.
Analistas do setor apontam que uma redução gradual nas compras indianas poderia redirecionar o fluxo de barris para a Europa e a Ásia, alterar descontos oferecidos por Moscou e aumentar a disputa por cargas do Oriente Médio e da África.
Por enquanto, o governo indiano mantém o discurso de que só mudará sua política se conseguir preservar a estabilidade dos preços internos.
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