Trump diz não ter pressa para negociar com Irã
Presidente afirma que Washington mantém vantagem sobre Teerã e defende nova ofensiva econômica contra o regime iraniano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta quarta-feira, 26, que não pretende estabelecer um prazo para retomar as negociações com o Irã. Segundo o mandatário, o país mantém uma posição de força diante de Teerã, favorecida pela crise econômica que atinge a nação persa.
As declarações ocorrem em meio à preparação, pela Casa Branca, de uma nova rodada de sanções contra parceiros comerciais do regime iraniano.
Vantagem econômica e acusações ao regime
“Não tenho nenhum prazo, nenhum. Não tenho prazo. Não tenho prazo algum. Estamos ganhando com muita vantagem”., disse Trump em entrevista à Al Jazeera.
O presidente associou essa posição favorável à deterioração da economia iraniana, mencionando uma inflação elevada e dificuldades financeiras crescentes no país.
Trump também acusou o governo iraniano de reprimir manifestações internas, afirmando que as autoridades “tratam muito mal seu povo e estão matando muitos manifestantes”.
Sobre o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, cuja ausência pública tem gerado dúvidas sobre seu estado de saúde, o presidente americano disse acreditar que ele continua vivo, embora gravemente ferido: “Não acho que esteja morto”.
O programa nuclear iraniano permanece como alvo da estratégia americana. Trump reafirmou que “não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear” e sustentou que sua administração já impediu, em duas ocasiões, que Teerã avançasse nesse sentido.
O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, manifestou concordância com essa linha e disse duvidar da viabilidade de um acordo diplomático com o regime iraniano, posição que teria transmitido a Trump em encontro realizado em julho, em Washington.
Sanções e disputa pelo Estreito de Ormuz
A pressão financeira sobre o Irã ganhou força com o anúncio da estratégia batizada de “Pária Econômico”, voltada a países e empresas que mantenham relações comerciais com Teerã. As sanções abrangem setores como ouro, tecnologia, ativos digitais, aviação e transporte marítimo.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, apresentou a medida como instrumento para provocar o isolamento financeiro do regime.
Questionado sobre a eficácia das ações econômicas e militares, Trump respondeu: “Acho que ambas são eficazes”.
A disputa em torno do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte internacional de petróleo, também segue em aberto. Segundo o presidente americano, forças dos Estados Unidos retiraram minas da passagem marítima, permitindo a circulação de navios pela via.
O presidente iraniano, Masud Pezeshkian, minimizou o impacto das novas sanções: “Os Estados Unidos não obterão nada de sua pressão econômica nesta fase, da mesma forma que não obtiveram nada durante a guerra”.
Já o vice-chanceler iraniano, Kazem Qaribabadi, afirmou que o país responderá atacando interesses econômicos americanos, condicionando a reabertura de Ormuz ao fim do bloqueio e a uma solução para o conflito no Iêmen.
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