Trump barra lei de moradia por disputa eleitoral
Presidente diz que só sancionará projeto bipartidário depois que Senado aprovar proposta que impõe exigências de identificação a eleitores
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta sexta-feira, 10, que não assinará projeto de lei habitacional aprovado pelo Congresso, a não ser que o Senado aprove uma legislação eleitoral que impõe regras mais rígidas para o registro de voto. Mesmo sem a chancela presidencial, a medida sobre moradia pode entrar em vigor de forma automática já no sábado.
Impasse no Congresso
De acordo com a Folha, Trump classificou o texto habitacional como algo de pouca relevância diante da proposta eleitoral que defende, batizada de Lei Salve a América. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou recusar a assinatura em protesto pela incapacidade do Senado de avançar com essa pauta.
A proposta bipartidária sobre habitação representa um dos raros consensos alcançados no Legislativo americano, marcado por forte polarização. Entre os pontos centrais estão a dispensa ou aceleração de licenciamentos ambientais para novas construções residenciais e a restrição à quantidade de imóveis unifamiliares que grandes fundos de investimento podem manter em seus portfólios.
O impasse não é inédito: em 24 de junho, Trump já havia suspendido uma cerimônia de assinatura prevista para pressionar aliados republicanos a votar a proposta eleitoral. Uma fonte ouvida à época indicou que o mandatário provavelmente deixaria o texto sobre moradia seguir seu trâmite sem veto nem sanção formal, o que faria a norma passar a valer de maneira automática.
Reflexos na disputa eleitoral
A legislação eleitoral defendida por Trump prevê a exigência de comprovação de cidadania para o registro de eleitores, além da criação de um banco de dados nacional que reuniria informações de registros estaduais. O presidente sustenta, sem apresentar provas, que existiria fraude disseminada no sistema eleitoral do país.
Já o projeto habitacional é visto como uma oportunidade política tanto para parlamentares democratas quanto republicanos, que buscam demonstrar respostas ao encarecimento do custo de vida — tema apontado como prioritário entre eleitores às vésperas do pleito de meio de mandato, em novembro.
A recusa presidencial em validar o texto, no entanto, pode dificultar esse discurso entre os republicanos. O líder da bancada democrata na Câmara, Hakeem Jeffries, classificou a postura do partido rival dizendo que “os republicanos preferem tornar mais difícil votar do que mais fácil comprar uma casa”.
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