Trump bane cirurgias de mudança de sexo em crianças
Ex-presidente chama procedimentos de “mancha na história da nação” e corta financiamento federal
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta terça-feira, 28, ordem executiva proibindo cirurgias e tratamentos hormonais de mudança de sexo em menores de idade. A medida impede que instituições que realizem tais procedimentos recebam qualquer tipo de financiamento federal.
No documento, Trump classifica as cirurgias e os tratamentos como uma “mancha na história da nação” e acusa médicos e ativistas de promoverem procedimentos irreversíveis em crianças “sob a alegação radical e falsa de que é possível mudar o sexo de um menor através de intervenções médicas”.
A ordem também determina que o Departamento de Saúde e Serviços Humanos – equivalente ao Ministério da Saúde no Brasil – revise, em até 90 dias, toda a literatura científica sobre o tema e estabeleça diretrizes para o tratamento de jovens com disforia de gênero. Além disso, Trump ordenou que agências federais interrompam o financiamento de instituições de ensino e pesquisa que ofereçam ou incentivem essas práticas.
O decreto critica diretamente a Associação Mundial Profissional para a Saúde Transgênero (WPATH), classificando a entidade como defensora de uma “ciência sem credibilidade” e de pressionar pais a aceitarem tratamentos hormonais e cirurgias para seus filhos sob a ameaça de que a negativa poderia levá-los ao suicídio.
MATRIA: Associação brasileira lançou documento técnico sobre o tema
No Brasil, a associação MATRIA – Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil – vem denunciando há anos o “lobby poderoso e lucrativo” de grandes indústrias médicas e farmacêuticas, que promovem intervenções hormonais e cirúrgicas como se fossem um direito fundamental das crianças, quando na realidade, segundo o grupo, configurariam uma grave violação dos direitos humanos.
Em seu documento “Diretrizes para a garantia de uma infância e adolescência livre de rótulos sexistas“, a entidade alerta para o risco dessas intervenções, que são promovidas com base em pesquisas enviesadas e sem a devida comprovação científica.
O material expõe os impactos irreversíveis das chamadas “afirmações de gênero”, que incluem desde bloqueadores hormonais até cirurgias mutiladoras, além das consequências psicológicas enfrentadas por crianças que, ao atingirem a idade adulta, percebem ter sido incentivadas a tomar decisões sem maturidade para avaliar as consequências.
A MATRIA defende que nenhuma criança deve ser levada a rejeitar o próprio corpo por pressões externas ou por convenções sociais sobre comportamento e identidade. Segundo a associação, rótulos como “criança trans” são artificiais e impostos por um sistema que força meninas e meninos a se encaixarem em estereótipos para justificar tratamentos invasivos.
A entidade também questiona a abordagem do Conselho Federal de Medicina, que permite bloqueadores hormonais a partir da puberdade, alegando que tais medidas desrespeitam os princípios éticos de proteção à infância e adolescência.
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