Trump ameaça atacar montanha nuclear no Irã
Presidente americano afirma que Estados Unidos podem bombardear complexo suspeito de abrigar urânio enriquecido iraniano
Washington voltou a colocar o Irã sob ameaça nesta sexta-feira, 4. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que os EUA podem atacar o monte Pickaxe, também chamado de Kolang, próximo à instalação de Natanz, por suspeitar que ali estejam escondidas reservas iranianas de urânio altamente enriquecido.
A fala ocorreu durante entrevista à imprensa na Casa Branca, no mesmo dia em que Trump minimizou a guerra de seis meses travada com Teerã.
Suspeita recai sobre montanha próxima a Natanz
Segundo a reportagem, o monte Pickaxe fica a um quilômetro das instalações de Natanz, a maior planta de enriquecimento de urânio do Irã. Estados Unidos e Israel suspeitam que parte do material nuclear iraniano esteja oculta no interior da elevação.
O urânio se torna apto para uso bélico quando atinge pureza igual ou superior a 90%.
Trump foi direto ao justificar a possível ofensiva: “Irã não terá uma arma nuclear. Impedimos que a tenha. É possível que ataquemos Pickaxe muito em breve”, disse o republicano.
O governo iraniano nega qualquer atividade nuclear no local e classifica as acusações como “um pretexto inventado para a agressão, a destruição e a sabotagem”. Natanz já havia sido bombardeada por forças americanas e israelenses em 2025 e 2026.
As instalações subterrâneas do complexo foram declaradas por Teerã em 2020 ao Organismo Internacional de Energia Atômica, após um suposto ato de sabotagem no local naquele ano.
Casa Branca evita o termo “guerra”
Trump reforçou nesta sexta-feira o posicionamento já defendido por seu vice-presidente, JD Vance, de não tratar o confronto com o Irã como guerra declarada. “Muita gente não chama isso de guerra. Eu chamo de conflito militar porque, para nós, é algo menor. Não é grande coisa”, afirmou o presidente no Salão Oval, comparando o embate — iniciado há seis meses — a guerras que duraram anos, como a do Vietnã.
Essa escolha de linguagem também tem respaldo jurídico: a legislação americana veda a manutenção de hostilidades por mais de 60 dias sem autorização do Congresso. Ainda assim, Trump publicou no mesmo dia uma mensagem na rede Truth Social acusando democratas de desejarem a derrota dos Estados Unidos “na guerra no Irã”.
O confronto começou em 28 de fevereiro, deflagrado por Estados Unidos e Israel, sem que o objetivo declarado de depor o regime dos aiatolás tenha sido alcançado.
Custos humanos e políticos do conflito
Trump comparou as baixas americanas no Irã, 18 militares, a outros conflitos históricos. “Um já é demais. Mas no Vietnã perdemos dezenas de milhares de pessoas. No Afeganistão perdemos muitos”, reconheceu, citando o Arquivo Nacional dos Estados Unidos, que registra 58.220 mortos americanos na Guerra do Vietnã.
O presidente também mencionou a captura, em janeiro, do ex-ditador venezuelano Nicolás Maduro, levado a Nova York para responder a acusações de narcotráfico, ressaltando que essa operação não deixou mortos americanos.
O conflito com o Irã já custou mais de 37,5 bilhões de dólares aos contribuintes dos Estados Unidos e deixou 18 militares mortos.
O aumento do preço da gasolina, provocado pelo bloqueio do Estreito de Ormuz, é apontado como fator de risco para o Partido Republicano nas eleições legislativas de 3 de novembro.
O secretário de Comércio, Howard Lutnick, admitiu na quinta-feira ter errado ao dizer, um dia antes, que nenhum militar americano havia morrido na guerra.
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