Trump admite retomar negociações com o Irã
Presidente elogia general paquistanês como mediador e pede que jornalistas fiquem em Islamabad, porque algo pode acontecer nos “próximos dois dias”
Donald Trump afirmou nesta terça-feira, 14 que Washington retomará em breve as negociações diretas com o Irã, e sugeriu que Islamabad será novamente a sede das conversas. Em conversa com o New York Post, pediu aos jornalistas que permanecessem na capital paquistanesa porque “algo poderia acontecer nos próximos dois dias”.
Trump aproveitou para destacar o papel do chefe do Estado-Maior paquistanês, Asim Munir, como mediador fundamental no processo.
Munir como facilitador-chave
Trump elogiou a atuação de Munir, citando seus antecedentes na resolução do conflito entre Índia e Paquistão em 2024: “O general está fazendo um trabalho excelente. É fantástico, e por isso é mais provável que voltemos lá”.
O presidente descartou outras sedes para as negociações: “Por que ir a um país que não tem nada a ver com isso?”, questionou, referindo-se à possibilidade de usar a Turquia. Europa foi mencionada como alternativa menos provável.
A administração americana, segundo Trump, não está satisfeita com o ritmo das conversações: “As coisas estão acontecendo, mas um pouco lentamente”, admitiu.
Trump está descontente com informações sobre propostas de Washington ao Irã para congelamento de vinte anos do programa de enriquecimento de urânio: “Já disse que não podem ter armas nucleares, então não gosto dessa questão dos vinte anos”, advertiu.
O republicano reforçou que o Irã não deve interpretar avanços parciais como vitórias: “Não quero que sintam que ganharam”, apontou.
Embora não tenha especificado quem liderará a próxima delegação, confirmou que não participará diretamente das negociações. Qualquer acordo, ressaltou, deve impedir que Teerã desenvolva capacidade de fabricar armas atômicas.
Impasse e (razoável) otimismo
O vice-presidente JD Vance afirmou na segunda-feira, 13, que a responsabilidade pelo próximo passo é do Irã, enquanto o general paquistanês Muhammad Saeed afirmou que “o Irã precisa poder levar algo ao seu povo que não pareça capitulação”.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, está otimista: “Tudo aponta para que é muito provável que essas conversas sejam retomadas”, declarou após encontro com o vice-primeiro-ministro paquistanês Mohammad Ishaq Dar.
Guterres agradeceu a liderança de Islamabad nos esforços pela paz regional.
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