Trump admite impacto da guerra no Irã na derrota republicana
Discurso ecoou o vice-presidente, JD Vance, que foi mais enfático a respeito dos efeitos do conflito
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, concordou nesta quarta-feira, 4, com a afirmação do vice-presidente JD Vance de que a guerra do Irã contribuiu para a derrota republicana nas eleições de meio de mandato.
Questionado por repórteres, Trump afirmou: “Acho que é em grande parte verdade, porque de fato aumentou um pouco os preços da gasolina no curto prazo”.
Trump, contudo, disse que os Estados Unidos não tinham escolha em relação à guerra contra o Irã.
“Ao mesmo tempo, se eu tivesse que fazer isso de novo, faria da mesma forma porque, a longo prazo, é a única resposta. (…) Não podemos permitir que o Irã tenha uma arma nuclear”, disse.
Vance lava roupa suja
Vance admitiu que a guerra no Irã foi o principal motivo pela derrota dos republicanos nas eleições de meio de mandato.
O vice-presidente publicou, em sua conta no X, um longo texto elencando as principais razões para o revés do Partido Republicano.
“A razão pela qual perdemos é a guerra. O próprio presidente disse isso na noite passada. Se você quiser argumentar que valeu a pena, que perder o Senado pelos próximos 6 anos valeu a pena, então faça isso. Argumente que foi um custo válido a pagar. Concorde ou discorde, isso é pelo menos honesto”, escreveu no X.
Vance também relatou que uma pesquisa à qual teve acesso antes da eleição apontava as quatro principais mudanças que levariam os eleitores a votar novamente nos republicanos.
“Encerrar a guerra, focar no custo de vida, colocar a América em Primeiro Lugar e mudar a relação com Israel”, afirmou.
Apesar das críticas, o vice-presidente terminou o texto dizendo estar “esperançoso” com os Estados Unidos.
“Vamos pegar essa raiva e voltar ao trabalho de salvar o nosso país”, finalizou.
Câmara e Senado
As apurações de momento mostram os democratas com 55 cadeiras no Senado, contra 45 dos republicanos.
Na Câmara dos Representantes, são 228 assentos dos democratas, ante 139 dos republicanos.
A perda de controle de pelo menos uma das casas do Congresso para o partido rival do presidente é comum nas eleições de meio de mandato.
Desde 1978, nenhum presidente conseguiu manter a maioria nas duas Casas.
A dimensão do revés, porém, representa um sinal de alerta para Trump e indica a insatisfação de parte do eleitorado com sua gestão.
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