Trump adia ofensiva contra Irã, mas mantém militares em alerta máximo
Líderes árabes do Golfo Pérsico intervieram diplomaticamente para conter escalada militar entre Washington e Teerã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta segunda-feira, 18, a suspensão de um ataque militar ao Irã que estava programado para a terça-feira, atendendo a pedido dos governos do Catar, da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos.
A decisão não encerra a ameaça: Trump ordenou simultaneamente que as Forças Armadas permaneçam em condições de iniciar uma operação de grande porte “a qualquer momento”.
Mediação árabe segura a ofensiva
Trump divulgou a decisão em sua rede social, o Truth Social, citando o pedido do emir do Catar, Tamim bin Hamad al-Thani, do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman al-Saud, e do presidente dos Emirados Árabes Unidos, Mohamed bin Zayed al-Nahyan.
Os três líderes argumentaram que “negociações sérias estão em andamento” e que um acordo “muito aceitável” para os EUA e para os países da região seria alcançado.
Trump condicionou a postura ao atendimento de uma exigência que considera inegociável: o comprometimento formal de Teerã de que não desenvolverá armas nucleares.
O republicano instruiu o secretário de Defesa, Pete Hegseth, e o chefe do Estado-Maior Conjunto, general Dan Caine, a manterem os militares “preparados para prosseguir com um ataque em grande escala contra o Irã, a qualquer momento, caso um acordo aceitável não seja alcançado”.
Negociações emperradas, demandas distantes
Segundo O Globo, o Irã respondeu à proposta americana mais recente — mediada pelo Paquistão — com condições que incluem a liberação de ativos congelados no exterior, o encerramento das sanções internacionais, o pagamento de reparações de guerra e a manutenção de um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz.
A passagem, por onde transitava um quinto das exportações globais de petróleo e gás, encontra-se bloqueada desde março. Em abril, os EUA impuseram seu próprio bloqueio a embarcações com origem ou destino em portos iranianos. O Irã quer manter o controle tarifário sobre o estreito, posição rejeitada pelos demais governos envolvidos.
Washington, por sua vez, defende o desmantelamento completo das instalações nucleares iranianas — posição compartilhada por Israel. Teerã admite concessões pontuais, como a suspensão temporária do enriquecimento de urânio ou a transferência do material a um país terceiro, mas rejeita o desmonte das estruturas.
Trump classificou a contraproposta iraniana apresentada na semana passada como “inaceitável” e, no domingo, 17, chegou a ameaçar a destruição total do país caso as negociações fracassem.
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