TPI emite ordem de prisão contra líderes talibãs por perseguição a mulheres
Dois chefes do grupo terrorista afegão são acusados de privar as mulheres de "direitos e liberdades fundamentais"
O Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu ordens de prisão nesta terça-feira, 8, contra dois líderes do grupo terrorista Talibã por perseguição a mulheres no Afeganistão.
Os juízes do TPI afirmaram que havia elementos suficientes para suspeitar que o líder supremo, Haibatullah Akhundzada, e o presidente da Suprema Corte do Afeganistão, Abdul Hakim Haqqani, cometeram o crime contra a humanidade com base no gênero.
“Embora os talibãs tenham imposto algumas regras e proibições à população como um todo, visavam especificamente meninas e mulheres devido ao seu gênero, privando-as de direitos e liberdades fundamentais”, diz trecho da denúncia.
Segundo o tribunal, os crimes teriam sido cometidos entre agosto de 2021 e 20 de janeiro deste ano.
“Além disso, outras pessoas foram visadas porque algumas expressões de sexualidade e/ou identidade de gênero foram consideradas incompatíveis com a política de gênero dos talibãs”, continua a denúncia.
O Talibã, que atualmente governa o Afeganistão, classificou a decisão como “absurda” e afirmou que os mandados de prisão “não afetarão de forma alguma o firme compromisso [das autoridades talibãs] com a sharia [lei islâmica]”.
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Sharia
Em agosto de 2021, o grupo terrorista retornou ao poder, após os Estados Unidos retirarem suas tropas do Afeganistão.
Nos primeiros meses de governo, o Talibã promulgou uma série de medidas contra as mulheres.
No texto da lei aprovada, elas estão proibidas de cantar ou receitar poesia.
Além disso, as mulheres devem manter distância de homens não muçulmanos.
O Talibã faz parte de uma vertente sunita do islamismo, cuja ramificação prega a interpretação rígida da sharia, a lei islâmica.
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