Talibã agora quer turistas
Vídeos convidam estrangeiros ao Afeganistão e omitem realidade de terror, miséria extrema e repressão generalizada
O Talibã divulgou nas últimas horas vídeos promocionais para atrair turistas estrangeiros ao Afeganistão.
As imagens mostram visitantes sorrindo ao lado de terroristas armados, diante de montanhas, lagos e pratos típicos. Em uma das falas, um dos integrantes do grupo afirma: “Depois de expulsarmos vocês do nosso país, agora são bem-vindos como turistas ou convidados.”
A campanha, que circula em redes sociais associadas ao regime, alterna cenas de suposta tranquilidade com exibições de fuzis automáticos e slogans em tom provocativo.
Segundo o próprio Talibã, mais de 9 mil turistas visitaram o país em 2023 e outros 3 mil chegaram nos primeiros meses deste ano. Não há verificação independente dos dados.
Enquanto promove o turismo com vídeos em estilo documental, o regime impõe restrições severas à população e mantém o país entre os mais perigosos do mundo.
Governos como os dos Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha recomendam que seus cidadãos “não viajem em hipótese alguma” ao território afegão.
O Departamento de Estado dos EUA alerta para “ameaças constantes de sequestros, atentados suicidas, minas terrestres e detenções arbitrárias.”
Em maio, três turistas espanhóis e um afegão foram mortos em um ataque na cidade de Bamiyan. O atentado foi reivindicado pelo grupo terrorista Estado Islâmico Khorasan.
Desde a volta do Talibã ao poder, em 2021, o Afeganistão enfrenta colapso institucional, retrocesso civilizatório e uma crise humanitária sem precedentes.
Quase 80% da população vive abaixo da linha da pobreza, segundo estimativas internacionais.
Em 2025, mais de 22 milhões de pessoas precisarão de ajuda humanitária, e 15 milhões dependem de apenas uma refeição por dia.
Mulheres são proibidas de estudar além do ensino fundamental, trabalhar, circular sozinhas em espaços públicos, frequentar parques, praticar esportes ou cantar em público.
O país não possui imprensa livre, e críticos do regime, manifestantes e jornalistas são presos, torturados ou desaparecidos.
Ainda assim, empresas russas passaram a vender pacotes turísticos ao país por cerca de 16 mil reais. O movimento ocorreu após o reconhecimento diplomático do governo Talibã por Moscou.
As autoridades talibãs afirmam ter certificado mais de 120 guias turísticos homens desde 2024. Nenhuma mulher aparece nos vídeos promocionais.
O regime busca legitimar sua presença no cenário internacional e obter moeda forte, enquanto silencia a realidade de repressão, fome e violência que domina o cotidiano da população.
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