Suspeito de atirar em agentes nos EUA era ligado à CIA, diz NYT
Afegão integrou força paramilitar acusada de extrema violência e de ser um “esquadrão da morte” durante guerra
O refugiado afegão acusado de atirar contra dois membros da Guarda Nacional em Washington serviu nas últimas fases da guerra dos Estados Unidos no Afeganistão como parte da controversa Unidade Zero, de acordo com o jornal The New York Times.
A pessoa identificada pelas autoridades federais como o agressor é Rahmanullah Lakanwal, de 29 anos. Essa força paramilitar tinha ligações com a CIA (Agência Central de Inteligência). Lakanwal entrou nos Estados Unidos após a retirada militar caótica de agosto de 2021. Ele e sua família foram realocados para o estado de Washington como parte de um programa do governo Biden.
O que foi a Unidade Zero?
A Unidade Zero fazia parte do serviço de inteligência afegão, mas operava em colaboração com a CIA. Esses grupos se tornaram conhecidos pela brutalidade, sendo rotulados como “esquadrões da morte” por organizações de direitos humanos. As unidades eram treinadas para conduzir incursões noturnas visando indivíduos suspeitos de pertencerem ao Talibã. Há alegações de que esses grupos cometeram assassinatos em massa de civis afegãos.
Lakanwal atuou em Kandahar em uma dessas unidades, conhecida como 03, onde um de seus irmãos era o vice-comandante. Sua entrada nos Estados Unidos, em setembro de 2021, foi justificada por seu trabalho anterior com o governo americano, incluindo a CIA. O diretor da CIA, John Ratcliffe, criticou a decisão publicamente. Ele declarou, em um comunicado, que o agressor acusado “nunca deveria ter sido autorizado a vir para cá”.
Preocupações psicológicas e denúncias de brutalidade
Um amigo de Lakanwal, identificado como Muhammad, afirmou que o suspeito sofria com problemas de saúde mental. Muhammad relatou que Lakanwal estava psicologicamente perturbado pelas mortes testemunhadas em sua unidade. Ele descreveu as operações militares como muito duras, gerando pressão excessiva sobre os combatentes. Lakanwal teria comentado com o amigo: “Quando viu sangue, corpos e feridos, ele não conseguiu tolerar e isso colocou muita pressão em sua mente”.
A CIA, por outro lado, nega as acusações de brutalidade direcionadas às unidades paramilitares, alegando que elas são resultado da propaganda do Talibã. Autoridades dos EUA destacaram que as Unidades Zero tiveram um papel importante na retirada americana. Elas ajudaram parceiros afegãos e cidadãos americanos a chegarem ao aeroporto para deixarem o Afeganistão.
O Talibã, por meio de Sediqullah Quraishi Badloon, acusou publicamente os grupos de saques e traição após o colapso do governo apoiado pelos EUA. Em pelo menos uma situação, o Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA utilizou um relatório da Human Rights Watch que condenava as unidades como base para negar o asilo a outro militar afegão que serviu ao lado das forças americanas.
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Comentários (1)
Annie
28.11.2025 10:17Aí tem.