Surto de hantavírus em navio já mobiliza 12 países
Autoridades rastreiam passageiros do MV Hondius após confirmação de cinco infecções; embarcação deve atracar nas Ilhas Canárias no dia 10
Um surto de hantavírus a bordo do cruzeiro holandês MV Hondius resultou em três mortes e cinco casos confirmados, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
A embarcação, operada pela empresa Oceanwide Expeditions, partiu de Ushuaia, na Argentina, em 1º de abril de 2026, com cerca de 150 passageiros e tripulantes de 28 países.
Autoridades sanitárias de pelo menos 12 nações correm para localizar dezenas de pessoas que desembarcaram antes da detecção do surto. A OMS descarta risco de pandemia.
Origem e propagação do vírus
A cepa envolvida é a andina do hantavírus, variante que, ao contrário das demais, admite transmissão direta entre humanos por “contato próximo e íntimo”. O período de incubação pode se estender por até seis semanas, o que amplia a janela de risco e dificulta o mapeamento dos contatos.
Segundo a BBC, a suspeita recai sobre um casal holandês que, antes de embarcar, realizou uma expedição de observação de aves pela Argentina, Chile e Uruguai — regiões com registro da espécie de roedor portadora da linhagem andina.
O governo argentino abriu investigação para verificar se a infecção teve início em seu território. A OMS classificou o episódio como a primeira transmissão conhecida de hantavírus dentro de um navio.
Entre os três óbitos confirmados estão os dois cônjuges holandeses e uma passageira alemã. A mulher holandesa morreu na África do Sul após voar de Santa Helena para Joanesburgo. O marido também não sobreviveu. A cidadã alemã desenvolveu febre em 28 de abril e evoluiu para quadro de pneumonia antes de falecer.
Rastreamento internacional e situação dos passageiros
Dezenas de pessoas deixaram o navio na ilha de Santa Helena em 24 de abril, dias antes de o primeiro caso ser confirmado, em 4 de maio. Desde então, autoridades sanitárias de Alemanha, Canadá, Dinamarca, Estados Unidos, Holanda, Nova Zelândia, Reino Unido, São Cristóvão e Névis, Singapura, Suécia, Suíça e Turquia passaram a monitorar seus respectivos cidadãos.
No Reino Unido, três pessoas estão sob suspeita. Dois britânicos tiveram infecção confirmada: o aposentado Martin Anstee, de 56 anos, está em estado estável em hospital na Holanda após ser evacuado do navio em 6 de maio; um segundo compatriota encontra-se internado em unidade de terapia intensiva na África do Sul. Outros dois britânicos optaram por isolamento voluntário em casa.
Nos Estados Unidos, agências de saúde de cinco estados — Geórgia, Texas, Arizona, Virgínia e Califórnia — acompanham pessoas que estiveram a bordo. Nenhuma delas apresenta sintomas. Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças classificaram o surto como emergência de nível 3, o patamar mais baixo da escala americana.
Na Suíça, um homem que desembarcou em Santa Helena testou positivo para a cepa andina e está sob cuidados médicos em Zurique. A França identificou oito cidadãos que compartilharam o voo com a passageira holandesa falecida; um deles apresentou sintomas leves e aguarda resultado de exame.
Destino do navio e tensão nas Canárias
Com 146 pessoas de 23 países ainda a bordo, o MV Hondius segue para Tenerife, nas Ilhas Canárias, território espanhol, onde deve atracar no próximo dia 10. Todos os passageiros passarão por avaliação médica antes de seguir aos seus países de origem. Os 14 espanhóis a bordo serão transferidos a Madri para quarentena em instalação militar.
A chegada do navio gerou resistência local. O presidente das Ilhas Canárias, Fernando Clavijo, manifestou oposição à decisão: “Não posso permitir que [o navio] entre nas Canárias. Esta decisão não obedece a nenhum critério técnico, nem recebemos informações suficientes”.
Moradores de Tenerife ouvidos pela BBC demonstraram preocupação, ainda que reconhecessem a necessidade de assistência aos passageiros.
Cabo Verde recusou a atracação do navio, que ficou ancorado próximo à costa do arquipélago por dias antes de retomar a rota rumo às Canárias, em 6 de maio.
A OMS reiterou que o surto não configura ameaça de pandemia. Ainda assim, dado o período de incubação prolongado, a organização não descarta o surgimento de novos casos nas próximas semanas.
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Comentários (1)
Annie
08.05.2026 19:40Um casal inventa e olha o estrago