Submarino some sem deixar vestígios após descobrir grandes estruturas desconhecidas
O Ran fazia parte de um amplo esforço para entender como o aquecimento dos oceanos acelera o derretimento das plataformas de gelo.
O desaparecimento do submarino autônomo Ran, no início de 2024, na plataforma de gelo de Dotson, na Antártica Ocidental, chamou a atenção da comunidade científica internacional, pois o veículo havia sido enviado para explorar regiões sob o gelo nunca observadas diretamente e, antes de sumir, coletou dados cruciais sobre o comportamento e o derretimento das plataformas de gelo antárticas.
Por que o submarino Ran era importante para a pesquisa na Antártica
O Ran fazia parte de um amplo esforço para entender como o aquecimento dos oceanos acelera o derretimento das plataformas de gelo.
Operado sem tripulação, ele explorou cavernas e túneis submersos sob a plataforma de Dotson, registrando relevo, espessura do gelo e circulação da água do mar.
Esses dados mostraram que a interação entre gelo e oceano é mais complexa do que previam muitos modelos climáticos, exigindo revisões nas estimativas de aumento do nível do mar.
As medições revelaram padrões de erosão diferenciados, ligados tanto à topografia submersa quanto às correntes profundas mais quentes.
Como o Ran investigou o derretimento do gelo na plataforma de Dotson
A missão do submarino focou os mecanismos de derretimento basal, com ênfase nas correntes oceânicas que circulam sob o gelo.
Equipado com sonares e sensores de temperatura, salinidade e velocidade das correntes, o Ran percorreu mais de 16 quilômetros em cavernas submersas, produzindo mapas detalhados.
Esses mapas revelaram plataformas internas, pilares e superfícies intensamente erodidas, indicando que a plataforma não é homogênea.
Em Dotson, a porção oriental mostrou gelo mais espesso e menor derretimento que a ocidental, diferença associada ao caminho da água mais quente guiada pela topografia submarina.
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Como as águas profundas aceleram o derretimento do gelo antártico
Um achado central foi o papel das águas circumpolares profundas, massas mais quentes que circulam ao redor da Antártica.
Quando essas águas encontram vales e passagens submersas, alcançam a base das plataformas de gelo e intensificam o derretimento.
Na porção ocidental de Dotson, a entrada de água relativamente mais quente e turbulenta favorece a erosão a partir de baixo, enquanto a parte oriental parece mais protegida por barreiras naturais e geometria das cavernas.
Vários fatores físicos explicam essas diferenças regionais:
Dinâmica Térmica: Antártida
4 Fatores que aceleram o derretimento basal
O que se sabe sobre o desaparecimento do submarino Ran
O Ran desapareceu em 2024 durante uma missão sob a plataforma de Dotson, sem enviar sinais de retorno. Operar em túneis longos, irregulares e sem comunicação em tempo real envolve riscos elevados, agravados pela pressão, pelo frio extremo e pela ausência de luz.
Entre as hipóteses estão falha mecânica, colisão com o gelo, aprisionamento em cavernas instáveis ou interação com grandes organismos marinhos, nenhuma ainda confirmada.
Sabe-se apenas que o veículo seguia rotas pré-programadas, armazenava dados a bordo e, em sua última missão, deixou de retornar ao ponto de encontro.
Qual é o futuro dos submarinos autônomos na pesquisa polar
Mesmo com a perda do Ran, seus resultados reforçaram o valor dos veículos autônomos na compreensão do derretimento do gelo na Antártica. Os dados indicam que muitos modelos de aumento do nível do mar precisam considerar melhor a complexidade das cavernas submersas e das correntes profundas.
Novo projetos priorizam veículos mais robustos, com maior redundância de sistemas, comunicação acústica aprimorada e navegação mais adaptativa, reduzindo o risco de perda total.
Enquanto isso, os dados do Ran continuam em análise, apoiando estudos sobre a estabilidade das plataformas de gelo e as projeções de mudanças climáticas nas próximas décadas.
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