Sobe para 2.645 o número de mortos pelos terremotos na Venezuela
Mais de 15 mil pessoas seguem desabrigadas
O número de mortos pelos terremotos que atingiram a Venezuela na última quarta-feira, 24, subiu para 2.645, segundo balanço divulgado nesta sexta, 23, pelo Ministério da Comunicação e Informação.
Ainda há 15.050 pessoas desabrigadas e 86.117 famílias recebendo assistência.
A tragédia mobiliza equipes nacionais e estrangeiras. Segundo o governo venezuelano, o país recebeu ajuda de 24 nações, incluindo 521 toneladas de suprimentos, 86 equipes com cães farejadores e mais de 2.741 profissionais de busca, resgate e apoio.
Civil salva civil
O terremoto que atingiu principalmente a cidade costeira de La Guaira, onde fica o aeroporto que serve a capital Caracas, deixou hospitais inoperantes.
Ambulâncias não tinham gasolina para deslocar os feridos.
A população ainda ficou sem água e sem eletricidade.
Os militares, tão agraciados pelo chavismo com inúmeros benefícios, tiveram participação discreta nos primeiros dias.
“O chavismo foi, pouco a pouco, desmontando as instituições e desmantelando os serviços que poderiam ter algum valor para os venezuelanos. O terremoto deixou cidades sem eletricidade e sem água, o que praticamente inviabiliza um sistema de proteção civil diante desse tipo de tragédia”, afirma o cientista político Jose Vicente Carrasquero.
O resgate, assim, ficou por conta de voluntários da sociedade.
“O resgate inicial dependeu muito mais das próprias pessoas, que procuravam seus familiares e entes queridos, removendo escombros com as próprias mãos”, diz Carrasquero.
Ditadura
Em muitos lugares, as primeiras equipes de apoio que chegaram para socorrer as vítimas foram enviadas por outros países.
A ajuda internacional, assim, foi essencial para localizar sobreviventes e recuperar corpos sob os escombros.
A atuação da ditadura mostrou mais uma preocupação em preservar o regime do que em ajudar a população.
Agentes da Polícia Nacional Bolivariana e funcionários da agência federal de proteção civil tentaram impedir a ajuda externa. Depois, afirmaram que todas as doações deveriam ocorrer por meio do governo federal.
O objetivo foi evitar passar a mensagem de que o Estado perdeu o controle.
Três dias depois dos terremotos, funcionários do governo foram enviados para as ruas para grafitar mensagens de apoio ao governo nos muros que não caíram. “Chávez não é uma pessoa física. É uma cultura. Um caminho. Um plano“, dizia uma das mensagens.
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