“Sanções americanas não serão um impedimento para o futuro da Síria”
Departamento de Tesouro oficializa fim de sanções à Síria; Bashar Assad e membros do antigo regime seguem na lista
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta segunda-feira, 30, uma ordem executiva que encerra as sanções econômicas aplicadas contra a Síria.
Com a medida, o governo americano remove pessoas e entidades bloqueadas da lista do programa de sanções. Os bens também serão desbloqueados.
O fim da punição ajudará o país a se reestruturar economicamente e financeiramente.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que os EUA apoiarão “uma Síria estável, unificada e em paz consigo mesmo e com seus vizinhos”.
“De acordo com a Ordem Executiva do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ‘Prevendo a Revogação das Sanções à Síria’, os EUA estão tomando novas medidas para apoiar uma Síria estável, unificada e em paz consigo mesma e com seus vizinhos. As sanções americanas não serão um impedimento para o futuro da Síria”, escreveu no X.
De acordo com o Departamento de Tesouro, o ditador deposto Bashar Assad e seus aliados seguirão fazendo parte da lista de pessoas sancionadas.
“Simultaneamente à emissão da Ordem de Serviço, o OFAC removeu 518 indivíduos e entidades da Lista de Cidadãos Especialmente Designados e Pessoas Bloqueadas (Lista SDN) sancionadas pelo programa de sanções à Síria, suspendendo as sanções a indivíduos e entidades essenciais para o desenvolvimento da Síria, o funcionamento de seu governo e a reconstrução do tecido social do país. O OFAC também designou 139 indivíduos e entidades afiliados ao regime anterior, sob a Ordem de Serviço 13894, conforme alterada, bem como outras autoridades iranianas e de combate ao terrorismo, garantindo a continuidade da responsabilização pelo antigo regime de al-Assad e seus abusos” diz trecho.
“Em linha com a promessa do Presidente Trump de aliviar as sanções à Síria, as ações de hoje ajudarão a proporcionar ao país a oportunidade de restabelecer os laços com o comércio global e construir confiança internacional”, disse o Secretário do Tesouro, Scott Bessent .
“Enquanto continuamos monitorando o progresso em campo, mantemos o foco em impedir que Assad, seus comparsas, terroristas e outros atores ilícitos tentem desestabilizar a Síria e a região“, continuou.
Desde 1979, os EUA aplicavam sanções econômicas à Síria em resposta aos crimes contra a humanidade ou apoio a grupos terroristas.
Após décadas do regime de Assad, o novo líder foi atrás de ajuda internacional para conseguir reconstruir o país.
Aproximação
Em maio, Trump já havia anunciado o fim das sanções, durante uma visita à Arábia Saudita.
“Eu estarei ordenando o cessar das sanções contra a Síria para dar a eles uma chance de grandeza”, afirmou o republicano, sendo aplaudido de pé pelo ditador saudita Mohammed bin Salman e pelo bilionário Elon Musk.
Ele reuniu-se com o presidente sírio, Ahmed al-Sharaa, a quem fez cinco exigências para o alívio das sanções econômicas.
Desde o início do ano, o novo governo sírio busca respaldo e legitimidade junto aos pares internacionais.
Em fevereiro, Sharaa pediu apoio de Bin Salman na reconstrução do país devastado após a queda de Assad. A cúpula síria viajou a bordo de um jato particular saudita enviado especialmente por Bin Salman a Damasco.
Além disso, o encontro entre os chefes de governo sinalizou um interesse em alinhar-se politicamente com os sauditas e distanciar-se do Irã.
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Unidade
A maior missão do governo sírio será a de manter a Síria unida.
Sharaa não foi eleito presidente do país, e chegou ao poder após um golpe armado.
Ciente da falta de legitimidade interna, ele prometeu novas eleições presidenciais.
No entanto, deu um prazo de quatro a cinco anos para a realização, alegando que “qualquer eleição válida exigirá um censo populacional abrangente”.
Além disso, o novo governo já apresentou um rascunho preliminar de uma nova Constituição, como garantia de uma Síria democrática prometida à comunidade internacional.
A Constituição anterior, de 2012, foi criada por Bashar Assad.
Nos primeiros meses, o país registrou confrontos entre o Exército sírio e remanescentes do regime.
Em março, houve ataques entre milícias pró-Assad e as forças do novo governo.
Em resposta, o Exército matou centenas de pessoas da minoria alauíta, da qual o antigo regime fazia parte.
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