Rússia proíbe atividades da Anistia Internacional em seu território
Adicionalmente, cidadãos russos que colaborarem ou financiarem as atividades da ONG podem enfrentar processos judiciais
O Ministério Público da Rússia declarou, nesta segunda-feira, 19 de maio, que a organização não governamental (ONG) de direitos humanos Anistia Internacioan é “indesejável” no país, uma medida que proíbe suas atividades em território russo.
Essa decisão ocorre em um contexto de crescente repressão à sociedade civil e a vozes críticas desde o início da ofensiva militar russa na Ucrânia.
Em comunicado oficial, o procurador-geral da Rússia acusou a sede londrina da Anistia de ser um “centro de elaboração de projetos russofóbicos” globalmente financiados por apoiadores do governo ucraniano.
O órgão alegou que a ONG está intensificando a hostilidade militar na região, defendendo os atos de grupos neonazistas ucranianos e promovendo o aumento de seus recursos financeiros.
A designação de “indesejável” implica que a organização deve encerrar suas operações na Rússia. Adicionalmente, cidadãos russos que colaborarem ou financiarem as atividades da ONG podem enfrentar processos judiciais.
No seu portal oficial, a Anistia Internacional caracteriza a Rússia como um país que “continua sua guerra de agressão contra a Ucrânia” e ressalta que os direitos relacionados à liberdade de expressão, reuniões pacíficas e associação estão severamente limitados.
Desde 2015, quando o governo russo estabeleceu pela primeira vez uma lista de organizações consideradas indesejáveis, o número total subiu para 223 entidades.
A guerra continua
Na noite de sábado, a Rússia lançou um dos maiores ataques de drones na Ucrânia, atingindo diversas cidades e alvos civis e matando uma mulher em Kiev.
O ataque ocorreu apenas dois dias após negociações diretas entre russos e ucranianos realizadas em Istambul, mediadas pela Turquia. Este diálogo, o primeiro em três anos, não levou a nada, ou quase nada.
Como se esses bombardeios massivos não fossem suficientes, na manhã de domingo, Vladimir Putin, em uma entrevista à televisão, confirmou esse fracasso ao declarar que pretendia “eliminar as causas que provocaram essa crise e criar as condições para uma paz duradoura, bem como garantir a segurança do Estado russo”.
Para o ditador russo, isso significa exigir a rendição da Ucrânia. Moscou mantém suas posições inflexíveis. Em Istambul, as negociações, que duraram apenas duas horas, destacaram suas exigências extremas.
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