Rússia leva arsenal nuclear à Bielorrússia em exercício conjunto
Manobras incluem simulação de lançamento de mísseis e testam prontidão de tropas em todo o território bielorrusso
Rússia e Bielorrússia iniciaram exercícios militares conjuntos que simulam o emprego de armamentos nucleares instalados em solo bielorrusso, incluindo o míssil balístico Oreshnik — o mesmo modelo já disparado contra a Ucrânia durante a guerra, ainda que com carga convencional.
Segundo O Globo, os treinos abrangem todo o território da Bielorrússia e envolvem desde o deslocamento de tropas por longas distâncias até a preparação formal para o disparo de ogivas nucleares, segundo o Ministério da Defesa do país.
O que dizem os militares
De acordo com o Ministério da Defesa bielorrusso, o objetivo central das manobras é “testar a prontidão para realizar missões de combate em áreas despreparadas”.
O comunicado lista entre as atividades previstas o “lançamento de armas nucleares e sua preparação para uso”, além de operações de movimentação furtiva e cálculos táticos para o emprego de forças. A pasta afirmou ainda que os exercícios não representam uma ameaça à segurança regional nem constituem uma ação de intimidação contra terceiros.
O comando militar russo não se pronunciou sobre as manobras.
O Oreshnik, míssil de alcance intermediário usado pela Rússia contra alvos ucranianos com explosivos convencionais, passou a integrar o arsenal instalado na Bielorrússia no ano passado. A transferência foi possível após setembro de 2024, quando Moscou revisou sua doutrina nuclear para permitir o posicionamento de armas desse tipo no território de aliados.
Reação da Ucrânia e contexto histórico
Segundo o Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia, “o destacamento de armas nucleares táticas russas na Bielorrússia e os exercícios nucleares conjuntos conduzidos pelas duas ditaduras representam um desafio sem precedentes à arquitetura de segurança global”.
A nota acrescenta que o Kremlin estaria “legitimando a proliferação de armas nucleares em todo o mundo e estabelecendo um precedente perigoso para outros regimes autoritários”.
O episódio tem uma dimensão histórica relevante: a Bielorrússia abriu mão de seu arsenal nuclear soviético em 1994, por meio do Memorando de Budapeste, em troca de garantias de segurança — o mesmo acordo que previa a inviolabilidade do território ucraniano.
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