Rússia condena diplomata acusado de vender segredos aos EUA
Arseniy Konovalov pegou 12 anos de prisão após ser considerado culpado por traição
Um diplomata foi condenado por um tribunal de Moscou, na Rússia, a 12 anos de prisão. Ele é acusado de vender segredos à inteligência americana enquanto estava em missão nos Estados Unidos.
O Serviço Federal de Segurança disse que Arseniy Konovalov, de 38 anos, foi considerado culpado por traição.
“Foi constatado que A.S. Konovalov, funcionário do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, durante uma longa missão no exterior, nos Estados Unidos, repassou proativamente informações secretas à inteligência americana em troca de dinheiro”, diz a nota publicada nesta sexta-feira, 26.
Konovalov foi detido em março de 2024. O país comandado pelo ditador Vladimir Putin não informou quais dados o detido teria repassado à inteligência americana, nem com qual agência americana ele teria colaborado.
No entanto, o jornal russo Kommersant publicou que Konovalov atuou como segundo secretário do Consulado Geral da Rússia em Houston.
A reportagem acrescenta que ele trabalhou nos Estados Unidos de 2014 a 2017.
E os espiões russos?
Reportagem do New York Times publicada em maio de 2025 mostra que o Brasil serviu como base para a criação de uma rede de agentes secretos russos que atuaram com identidades falsas no país e no exterior. Essa “fábrica de espiões russos”, como definiu o jornal americano, usava o território brasileiro para desenvolver agentes com perfis brasileiros completos, incluindo documentos oficiais, negócios e vínculos sociais.
Esses agentes eram enviados posteriormente para países como Estados Unidos, Europa e Oriente Médio para operações de espionagem. Pelo menos nove espiões russos foram identificados no Brasil, seis deles nunca tinham sido expostos publicamente.
A reportagem cita Artem Shmyrev, que viveu por seis anos no Rio de Janeiro sob a identidade de Gerhard Daniel Campos Wittich. De acordo com o NYT, ele era dono de uma empresa de impressão 3D e tinha documentos brasileiros autênticos, como certidão de nascimento e passaporte. A operação russa envolvia a criação dessas identidades falsas a partir do zero, com histórias de vida completas.
Outros casos incluem ainda um homem que abriu uma joalheria no país, uma suposta pesquisadora brasileira que conseguiu emprego na Noruega e até um casal que se mudou para Portugal.
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