Rússia bombardeia Kiev com mísseis e drones
Ataque de madrugada atinge shopping e centros de distribuição na capital ucraniana; ao menos uma pessoa morreu
Um bombardeio russo destruiu instalações comerciais e logísticas em Kiev na madrugada desta quarta-feira, 5, horário local, deixando pelo menos um morto e moradores em busca de desaparecidos.
A ofensiva, com cerca de 30 mísseis balísticos e centenas de drones, começou pouco depois da meia-noite e se estendeu pelas primeiras horas do dia. O ataque é apontado como resposta a operações ucranianas contra depósitos na Rússia.
Entre os alvos atingidos estão o shopping Epitsentr, especializado em produtos de construção e considerado o maior da cidade no setor, totalmente destruído, e um centro de distribuição da varejista digital Rozeska, que pegou fogo.
Depósitos da transportadora NP e da rede de supermercados Novus também foram atingidos. Um bairro chegou a entrar em alerta por vazamento de amônia em uma fábrica, sem consequências registradas.
Escalada de ataques mútuos
O bombardeio ocorre em meio a uma sequência de ataques recíprocos. Desde 18 de julho, forças ucranianas atacam centros logísticos da Wildberries, maior varejista digital da Rússia, conhecida como a “Amazon russa”, o que tem afetado o sistema russo de entregas.
Segundo a Folha, o assessor presidencial ucraniano Serhii Beskrestnov, conhecido como “Flash”, afirmou que “o inimigo começou uma nova fase da guerra de atrito, onde ele ataca de tudo”. A avaliação sugere mudança na estratégia militar russa diante das perdas causadas pelos ataques ucranianos.
O conflito também avançou para o Mar Negro, onde a Ucrânia atingiu mais de cem embarcações ligadas à Rússia, reduzindo em mais de 30% a capacidade exportadora ucraniana de grãos, principal fonte de receita do país.
A Rússia respondeu atacando navios e portos ucranianos, e a empresa Fesco, ligada à estatal nuclear Rosatom, suspendeu operações no Mar Negro após ter uma embarcação afundada no último sábado, 1º.
Impasse nas negociações
O episódio ocorre um dia depois de o presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, declarar que trabalha para encerrar o conflito até o início do inverno no Hemisfério Norte, em dezembro. As negociações, no entanto, seguem paralisadas desde que a mediação dos Estados Unidos, conduzida por Donald Trump, foi interrompida por causa da guerra no Irã.
Pesquisas independentes indicam que a aprovação popular do ditador russo, Vladimir Putin, segue acima de 70%, mas abaixo dos índices superiores a 80% registrados anteriormente, em meio aos efeitos econômicos das ofensivas ucranianas contra refinarias e ao racionamento de combustível imposto no país.
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