Rubio celebra absolvição de Uribe “após anos de caça às bruxas”
Vice-secretário de Estado dos EUA cita o Brasil como um dos países em que o Judiciário pode ser usado "como arma para distorcer o processo democrático"
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, celebrou nesta terça, 21, a absolvição do ex-presidente da Colômbia, Álvaro Uribe (foto), em segunda instância.
O político colombiano, de 73 anos, havia sido condenado em agosto a 12 anos de prisão domiciliar por suborno de três testemunhas e fraude processual, e passou 19 dias preso até a concessão do recurso que o permitiu aguardar a decisão desta terça em liberdade.
“A justiça da Colômbia prevaleceu com a absolvição do ex-presidente Uribe após anos de caça às bruxas política contra ele e sua família”, escreveu Rubio no X.
O subsecretário de Estado, Christopher Landau, citou o Brasil como um dos países que, segundo ele, utilizam o sistema jurídico pode ser usado “como arma para distorcer o processo democrático”.
“Estou muito feliz que as instituições judiciais da Colômbia tenham se mantido firmes contra uma tentativa descarada de criminalizar a política. Os últimos anos nos mostraram, em países que vão da Colômbia, ao Brasil e aos EUA, que o sistema jurídico pode ser usado como uma arma poderosa para distorcer o processo democrático. Parabenizo o povo colombiano por este dia importante em sua história, em que o Estado de Direito se mostrou mais poderoso do que os indivíduos que buscaram abusar dele para fins políticos”, escreveu Landau.
Absolvição
Ao revogar as condenações, o tribunal apontou falta de provas que ligassem o ex-presidente ao cometimento dos crimes e ausência de intenção direta. Os juízes também ordenaram uma investigação sobre o ex-paramilitar Carlos Enrique Vélez Ramírez por falso testemunho.
Ramírez teria sido uma das três pessoas subornadas por Uribe, que presidiu a Colômbia de 2002 a 2010 e foi acusado de pressionar, manipular e subornar testemunhas para mudar depoimentos que o ligavam a grupos paramilitares.
“A sentença incorreu em erro”
“Diz a sentença [de primeira instância] que o testemunho de [Juan Guillerno] Monsalve provou coerção ou solicitação explícita para obter uma retratação em favor do réu [Álvaro Uribe] e contra o parlamentar Iván Cepeda Castro. A sentença incorreu em erro ao supor que o interesse do réu em obter provas lícitas equivalia a dolo, interpretando falaciosamente recomendações de ‘dizer sempre a verdade’ como ilicitude, sem evidências”, disse o juiz Manuel Antonio Merchán, do Tribunal Superior de Bogotá.
“As conversas interceptadas mostram ausência de instruções para induzir falsidade. E aqueles que tiveram contato com Uribe negam propósitos ilícitos. A ligação de 26 de março foi mal interpretada. Uribe pergunta se Monsalve foi pressionado por Cepeda. Não afirma esse fato. E a expressão ‘isso ajuda muito’ se refere a esclarecer a situação, não a induzir mentiras”, seguiu o juiz, completando:
“A sentença em primeira instância incorreu em erros metodológicos, falácias interpretativas e avaliação tendenciosa ao inferir subordinação e dolo sem base objetiva. Em consequência, o tribunal conclui que não há prova além da dúvida razoável e revoga a condenação imposta a Álvaro Uribe Vélez neste caso.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)