Romênia: candidato nacionalista solicita anulação das eleições presidenciais
Em seu comunicado, George Simion reiterou que possui "provas irrefutáveis" de uma tentativa orquestrada para influenciar os resultados eleitorais
George Simion, candidato nacionalista que participou do segundo turno das eleições presidenciais na Romênia, anunciou oficialmente sua intenção de solicitar à Corte Constitucional a anulação do pleito, alegando interferências externas.
Em uma postagem na rede social X, ele afirmou: “Eu peço oficialmente à Corte Constitucional que anule a eleição”, mencionando especificamente a França como um dos países envolvidos nas supostas ingerências.
O candidato do partido AUR (Aliança pela Unidade dos Romanos) obteve 46,4% dos votos, enquanto o seu adversário, Nicusor Dan, prefeito pró-europeu de Bucareste, recebeu 53,6%, segundo os resultados finais.
Apesar de inicialmente ter se proclamado presidente, Simion acabou por reconhecer sua derrota devido à diferença significativa de votos.
O nacionalista de 38 anos, admirador do ex-presidente americano Donald Trump, justificou sua decisão de não contestar o resultado imediatamente após as eleições para evitar possíveis confrontos violentos entre seus apoiadores.
Em seu comunicado, Simion reiterou que possui “provas irrefutáveis” de uma tentativa orquestrada para influenciar os resultados eleitorais.
Ele também fez referências à recente crítica que dirigiu ao presidente francês Emmanuel Macron, alegando que Paris teria agido em favor de seu oponente.
Na mesma linha, ele convocou Pavel Durov, fundador do aplicativo de mensagens Telegram, a depor sobre as supostas ingerências.
Pavel Durov havia anteriormente feito acusações diretas contra o chefe dos serviços secretos franceses.
Em uma publicação no X, ele afirmou que Nicolas Lerner teria solicitado a exclusão de contas conservadoras na Romênia antes das eleições.
Tensão e polarização
A situação política na Romênia se encontra em um estado de tensão elevada e polarização social. O apelo de Simion pode agravar ainda mais um clima já tenso em um país onde muitos cidadãos expressam descontentamento com a classe política considerada corrupta e distante.
Após ser instado por internautas a agir, Simion respondeu no TikTok: “Sim, eu farei! Sem problemas! Sou um lutador, não sou fraco nem traidor!”
Apesar de seu desempenho promissor no primeiro turno das eleições, o candidato enfrentou uma mobilização significativa dos eleitores pro-europeus no segundo turno, preocupados com uma possível mudança de orientação política em relação à Rússia.
As eleições refletiram visões opostas: enquanto Nicusor Dan defendia uma postura europeísta e apoio à Ucrânia, George Simion criticava as políticas da União Europeia e se opunha à ajuda destinada a Kiev.
Crise política
Desde a queda do regime comunista em 1989, a Romênia não vivia uma crise política tão profunda. Os eventos começaram quando um candidato pouco conhecido, Calin Georgescu, obteve a liderança no primeiro turno das eleições após uma campanha massiva no TikTok.
Irregularidades foram identificadas pelas autoridades em meio a suspeitas de interferência russa e a Corte Constitucional decidiu anular a votação – uma medida rara na União Europeia que resultou em manifestações violentas e acusações de golpe de Estado.
Calin Georgescu foi posteriormente excluído da corrida presidencial e processado judicialmente, permitindo que George Simion assumisse a candidatura ao cargo máximo do país, que possui poderes significativos para nomear líderes e participar de cúpulas da UE e da OTAN.
A expectativa era favorável para Simion após sua expressiva vantagem no primeiro turno realizado em 4 de maio, até o revés sofrido nas urnas no último domingo.
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