Relatório aponta causa do acidente no Elevador da Glória
Descarrilamento de bondinho turístico em Lisboa deixou 16 mortos
O Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF) de Portugal divulgou neste sábado, 6, um relatório preliminar sobre o acidente do Elevador da Glória, que deixou 16 mortos na quarta-feira, 3. Segundo a investigação, a causa foi a “desconexão do cabo entre as duas cabines”.
“A inspeção visual programada, realizada na manhã do dia do acidente, não detectou nenhuma anomalia no cabo”, afirmou o GPIAAF em comunicado.
A cabina que se desprendeu percorreu cerca de 170 metros antes de descarrilar e colidir contra prédios e postes, em um evento que durou menos de 50 segundos e atingiu velocidade estimada de 60 km/h.
Entre as vítimas estão cinco portugueses, três britânicos, dois sul-coreanos, dois canadenses, um suíço, um ucraniano, um americano e uma francesa. Inicialmente, havia sido listado um alemão entre os mortos, mas ele permanece internado. Ao todo, 23 pessoas ficaram feridas, algumas em estado grave.
O condutor do elevador acionou os freios automático e manual para tentar conter a descida da cabina, mas não conseguiu impedir o acidente.
A tragédia levantou debates sobre a manutenção dos elevadores históricos de Lisboa. O presidente da Carris, Pedro Bogas, afirmou que os protocolos de segurança datam de 1915, quando o sistema passou a ser elétrico, e que os técnicos responsáveis têm mais de 40 anos de experiência com os veículos.
Todos os elevadores históricos de Lisboa — Glória, Lavra e Bica — datam do final do século 19. O Elevador da Glória, projetado por Raoul Mesnier du Ponsard, está em operação desde 1914, com diversas intervenções de conservação ao longo dos anos.
O acidente aconteceu minutos após o início da viagem das cabines, quando o cabo que as conectava perdeu a força de equilíbrio. A cabina que desceu descontrolada atingiu lateralmente prédios e postes, destruindo a estrutura de madeira e parando em outro edifício no final do percurso.
Após o desastre, a circulação de outros funiculares históricos da cidade foi suspensa para averiguações. A supervisão do Elevador da Glória não é realizada pela Autoridade Nacional de Segurança Ferroviária (ANSF), responsável pelo sistema da Bica, devido a mudanças na legislação desde 2020.
Funerais das vítimas portuguesas já começaram. O presidente Marcelo Rebelo de Sousa participou dos velórios de algumas das vítimas.
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