Rei Charles III não vai morar em Buckingham após reforma
Monarca britânico permanecerá na Clarence House mesmo com restauração de 369 milhões de libras prevista para 2027
O monarca britânico Charles III decidiu que não vai se mudar de volta para o Palácio de Buckingham quando terminar a reforma de dez anos em curso no edifício, orçada em 369 milhões de libras (R$ 2,53 bilhões).
O monarca e a rainha consorte, Camilla, vão continuar morando na Clarence House, residência próxima ao palácio. A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 25, durante apresentação sobre as finanças da Casa Real.
Palácio muda de função, mas não de dono
Buckingham seguirá como sede formal da monarquia britânica, abrigando escritórios administrativos e recebendo jantares oficiais para chefes de Estado. James Chalmers, responsável pela gestão financeira do rei, disse que o local “é e continuará sendo a sede da monarquia, a joia da coroa de nossas edificações nacionais”.
A obra começou em 2017 para substituir instalações elétricas, hidráulicas e de aquecimento consideradas ultrapassadas, com objetivo de manter o edifício em funcionamento por mais cinco décadas. A entrega está marcada para 2027.
Com a ausência permanente do rei como morador, a Casa Real pretende abrir mais espaços do palácio a visitantes, ampliando o número de eventos e tours guiados — hoje o local recebe cerca de 700 mil pessoas por ano.
Rei divulga impostos pela primeira vez como monarca
O mesmo evento trouxe outra novidade: Charles III tornou-se o primeiro chefe da monarquia britânica a revelar os valores que paga em impostos desde que assumiu o trono, em 2022, após a morte da rainha Elizabeth II.
No ano fiscal de 2024-2025, o rei pagou 12,9 milhões de libras (US$ 16,1 milhões) em tributos sobre renda e ganhos de capital, alta em relação às 11,7 milhões de libras do período anterior.
O príncipe William, herdeiro do trono, também tornou públicos seus dados fiscais na mesma data: 7,76 milhões de libras pagos em impostos no último ano fiscal, valor menor que as 8,34 milhões de libras declaradas no ciclo anterior.
Decisões ocorrem em meio a crise envolvendo Andrew
Os anúncios chegam num período de desgaste para a família real, marcado por revelações sobre a relação entre o ex-príncipe Andrew — hoje chamado Andrew Mountbatten-Windsor — e o criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein. O caso tem dominado o noticiário sobre a monarquia nas últimas semanas.
Craig Prescott, especialista em direito constitucional pela Royal Holloway, da Universidade de Londres, relacionou a divulgação dos impostos a uma tentativa de diferenciação institucional. Segundo ele, a transparência reforça o contraste entre a conduta do rei e a de Mountbatten-Windsor.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)