Regime de Maduro impede cardeal de celebrar missa por santo venezuelano
Baltazar Porras afirma ter sido impedido de chegar à cidade de Isnotú para missa de José Gregório Hernández
O arcebispo de Caracas, Baltazar Porras (foto), afirmou que foi impedido de celebrar uma missa pelo santo venezuelano José Gregório Hernández, canonizado recentemente pelo papa Leão XVI. A denúncia foi feita por ele nas redes sociais e ocorre em meio a crescentes tensões entre a Igreja Católica e o regime de Nicolás Maduro.
Em vídeo publicado no Instagram, Porras explicou que “é tradição da Igreja que, após a canonização, se celebrem missas de ação de graças nos lugares onde os novos santos viveram”.
Ele acrescentou que foi convidado para a festa litúrgica na localidade natal do santo, Isnotú, estado de Trujillo, mas recebeu um telefonema do vice-ministro de Cultos, Edgar Arteaga, alertando que “não era conveniente que estivesse presente em Isnotú, porque havia informações sobre distúrbios”.
Horas depois, Porras recebeu mensagens por WhatsApp e e-mail informando que seu voo da Conviasa estava cancelado até 28 de outubro, embora o avião tenha partido e chegado normalmente a Valera, Trujillo. Diante da situação, decidiu viajar em um avião privado.
Durante o trajeto, a aeronave foi desviada para Barquisimeto sob a alegação de ventos fortes em Trujillo, o que se comprovou falso, já que outros voos chegaram normalmente ao destino.
Em Barquisimeto, Porras relatou um “incomum aparato militar” que cercou sua comitiva e o impediu de continuar por terra.
“Não tivemos nenhuma agressão física. O pouco que pudemos ouvir é que são ordens superiores”, afirmou o cardeal.
“Qual é o delito que se cometeu para que alguém não possa cumprir um dever religioso?”, questionou.
Reações da Igreja e da oposição
A Conferência Episcopal foi oficialmente notificada da “inconveniência” de sua presença, situação que Porras disse refletir a falta de liberdade cidadã e o excesso de militarização no país.
A líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, repudiou a ação no X, classificando-a como uma escalada repressiva do regime:
“Longe de intimidar com esta violência desesperada contra a Igreja, essas ações apenas fortalecem a união e determinação do povo venezuelano.”
O ditador Nicolás Maduro atacou o cardeal em um ato transmitido de Caracas, acusando-o sem provas de “conspirar” por anos para impedir a canonização de José Gregório Hernández.
Maduro afirmou que a santificação ocorreu “apesar de Porras e de sua confraria” e disse ter apresentado pessoalmente a causa de Hernández ao papa Francisco, atribuindo a si o impulso decisivo para a canonização.
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Comentários (1)
Marian
26.10.2025 19:40Existem comunistas cristãos?