Rede com 800 lojas e 19 mil trabalhadores entra em falência pela segunda vez em menos de um ano e decide fechar todas as unidades
Uma reestruturação recente não impediu que a operação física voltasse ao tribunal e passasse de cortes parciais para uma liquidação total.
Uma rede que havia saído de uma reestruturação poucos meses antes voltou ao tribunal em janeiro de 2025, ainda com centenas de pontos físicos e milhares de empregados. A Joann, varejista de tecidos e artesanato fundada em 1943, iniciou seu segundo processo de Chapter 11 em menos de um ano.
Por que a Joann voltou ao Chapter 11 tão rapidamente?
A primeira recuperação havia começado em março de 2024. Em abril daquele ano, a Justiça aprovou uma reestruturação que eliminou aproximadamente US$ 505 milhões em dívidas, transformou a companhia em empresa privada e manteve lojas e empregos durante aquele processo.
O alívio, porém, não resolveu os problemas operacionais. A Joann relatou restrições de estoque, dificuldades na cadeia de suprimentos e um ambiente de varejo desafiador. Em 15 de janeiro de 2025, iniciou outro processo de Chapter 11 e colocou praticamente todos os ativos à venda.

Qual era o tamanho da rede quando o segundo processo começou?
A Joann operava cerca de 800 lojas distribuídas por 49 estados e empregava aproximadamente 19 mil pessoas. Mesmo depois da primeira reorganização, essa estrutura física continuava exigindo uma operação extensa para abastecer lojas, pagar aluguéis e manter produtos disponíveis.
Os documentos e informações apresentados no processo indicavam US$ 615,7 milhões em dívida, mais de US$ 133 milhões devidos a fornecedores e aproximadamente US$ 26 milhões mensais em aluguéis. O estoque das lojas foi avaliado em cerca de US$ 538,3 milhões.
Por que a empresa anunciou primeiro o fechamento de 500 lojas?
Em 12 de fevereiro de 2025, a varejista pediu autorização judicial para encerrar aproximadamente 500 das 800 unidades. A medida fazia parte de uma tentativa de reduzir a presença física enquanto a companhia buscava compradores interessados em preservar uma operação menor.
O plano ainda deixaria centenas de lojas funcionando. A estratégia mudou depois que o processo de venda não produziu um comprador disposto a manter parte relevante da rede aberta como negócio em funcionamento.
Os números ajudam a dimensionar a crise:
Por que todas as lojas acabaram entrando em liquidação?
Em 24 de fevereiro, a Joann informou que GA Group e seus credores haviam vencido o leilão pelos ativos. O grupo comprador decidiu conduzir vendas de encerramento em todas as unidades, abandonando o cenário em que parte da rede continuaria aberta.
O resultado transformou uma redução de aproximadamente 500 pontos em uma liquidação completa. A Joann, que havia atravessado mais de oito décadas no varejo de tecidos, costura e artesanato, passou então a caminhar para o encerramento de sua operação física.
O que diferenciou a primeira falência da segunda?
Na primeira passagem pelo Chapter 11, a prioridade foi reorganizar a dívida e manter a companhia funcionando. O plano aprovado em abril de 2024 preservou as lojas e permitiu que a empresa saísse rapidamente da proteção judicial como companhia privada.
Na segunda passagem, a empresa entrou no processo já buscando uma venda supervisionada pelo tribunal. O Chapter 11 da legislação americana permite reorganização, mas também pode servir para uma liquidação ordenada quando não aparece uma alternativa capaz de sustentar o negócio.
As duas passagens tiveram resultados muito diferentes:
O que aconteceu com uma rede fundada em 1943?
A Joann nasceu em 1943 e se tornou uma referência em tecidos, costura e materiais para atividades manuais. A escala alcançada ao longo das décadas fez do fechamento uma das liquidações de varejo mais visíveis de 2025.
O episódio também mostra que sair de uma reorganização financeira não garante a recuperação operacional. Menos de dez meses após concluir o primeiro Chapter 11, a Joann voltou ao tribunal e, semanas depois, deixou de buscar apenas uma rede menor para encerrar todas as lojas.
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