Rede com 4.400 lojas entra em falência após quase 100 anos e deixa 21 mil trabalhadores diante de um futuro incerto
A antiga potência dos eletrônicos acumulou perdas, encolheu sua estrutura e voltou ao tribunal apenas dois anos após a primeira recuperação.
Uma rede de 4.400 lojas chegou ao tribunal carregando décadas de história, perdas seguidas e milhares de empregos sob risco. Em fevereiro de 2015, a tradicional varejista de eletrônicos pediu proteção contra credores nos Estados Unidos e iniciou uma ampla reestruturação.
Qual rede de 4.400 lojas entrou em falência?
A empresa era a RadioShack, fundada em Boston em 1921 como vendedora por correspondência de equipamentos de rádio. Ao entrar no Capítulo 11 americano, a marca se aproximava de um século e era conhecida por componentes, pilhas, computadores e celulares.
Os documentos registravam mais de 4.400 unidades próprias nos Estados Unidos, México e Ásia, além de 1.100 revendedores e franqueados. Mais de 4.100 lojas próprias ficavam no mercado americano, incluindo Porto Rico e Ilhas Virgens Americanas.

Como a dívida chegou a cerca de R$ 7 bilhões?
Na primeira recuperação, a companhia declarou US$ 1,2 bilhão em ativos e US$ 1,39 bilhão em passivos. Com US$ 1 convertido a R$ 5, o passivo corresponde a quase R$ 7 bilhões; o câmbio de 2015 produziria outro total.
O documento do processo disponível na SEC detalha US$ 250 milhões em crédito, US$ 250 milhões em empréstimo, US$ 330 milhões em notas e US$ 124 milhões devidos a fornecedores. Essas obrigações reduziam a margem de reação.
Por que um negócio tão conhecido perdeu força?
A queda das receitas durou três anos. A RadioShack enfrentava o comércio eletrônico, grandes varejistas e mudanças na telefonia móvel. Em 2014, as vendas do terceiro trimestre recuaram 16,1% e as unidades comparáveis perderam 13,4%.
A companhia modernizou fachadas, renovou produtos e reformou duas mil unidades. Também fechou 400 lojas e reduziu o quadro em 19% antes da falência, mas contratos com credores dificultaram o encerramento de mais pontos deficitários.
Quatro fatores resumem o caminho até o tribunal:
O que aconteceu com os 21 mil trabalhadores?
A empresa tinha aproximadamente 21 mil empregados integrais e parciais na data do pedido. A falência não demitiu todos imediatamente, mas colocou os postos sob avaliação enquanto lojas eram vendidas, liquidadas ou mantidas abertas.
O plano previa liquidar até 2.100 unidades deficitárias e vender o restante. A General Wireless adquiriu 1.743 lojas e dividiu muitos espaços com a Sprint. A solução preservou parte da rede e milhares de empregos, mas reduziu a estrutura original.
Por que a empresa faliu novamente dois anos depois?
A segunda falência ocorreu em março de 2017. A operação mantinha cerca de 1.500 lojas próprias e 5.900 trabalhadores. Mesmo com despesas menores, o desempenho fraco das vendas móveis prejudicou a parceria com a Sprint.
A companhia anunciou inicialmente 200 fechamentos. Poucos meses depois, mais de mil lojas foram encerradas, restando 70 unidades corporativas e algumas centenas de franquias. A nova tentativa não sustentou a recuperação iniciada em 2015.
Os números mostram como a estrutura diminuiu:
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A falência encerrou definitivamente a RadioShack?
Não exatamente. A corporação e sua rede de 2015 foram desmontadas, mas a marca, o comércio eletrônico e as franquias passaram por diferentes proprietários. Por isso, o nome continuou aparecendo depois do fechamento da maioria das lojas americanas.
Em 2023, o Grupo Unicomer adquiriu a propriedade intelectual e o domínio global da RadioShack. A compra não reabriu as antigas 4.400 lojas nem recuperou empregos; iniciou outra etapa comercial para uma marca sobrevivente da empresa original.
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