Rede com 360 lojas espalhadas por 26 estados não encontra comprador e 14 mil trabalhadores veem a empresa seguir para liquidação
Centenas de lojas que abasteciam cidades pequenas e médias dos Estados Unidos começaram 2019 tentando sobreviver a uma reestruturação judicial. Poucos meses depois, a busca por comprador fracassou e a Shopko, rede fundada em Wisconsin, passou do Chapter 11 para a liquidação de suas operações de varejo. Por que a Shopko entrou em falência em...
Centenas de lojas que abasteciam cidades pequenas e médias dos Estados Unidos começaram 2019 tentando sobreviver a uma reestruturação judicial. Poucos meses depois, a busca por comprador fracassou e a Shopko, rede fundada em Wisconsin, passou do Chapter 11 para a liquidação de suas operações de varejo.
Por que a Shopko entrou em falência em 2019?
A Shopko pediu proteção do Chapter 11 em 16 de janeiro de 2019. A empresa afirmou que precisava reorganizar suas finanças diante de dívida elevada e pressões competitivas que vinham enfraquecendo o negócio.
Naquele momento, a companhia ainda imaginava uma reestruturação, não o desaparecimento completo. O processo permitiria continuar funcionando enquanto fechava unidades, reorganizava obrigações e buscava alternativas para preservar parte da operação.

Qual era o tamanho da rede antes da liquidação?
Fundada em 1962 e sediada em Green Bay, Wisconsin, a Shopko tinha mais de 360 lojas em 26 estados quando anunciou a reestruturação. A presença se concentrava principalmente no Centro-Oeste, Oeste e Noroeste do país.
A empresa combinava lojas Shopko tradicionais, unidades menores Shopko Hometown, farmácias e centros ópticos. Essa estrutura fazia a rede chegar a comunidades nas quais grandes varejistas nacionais nem sempre mantinham formatos semelhantes.
Três números ajudam a dimensionar a operação atingida:
Por que a tentativa de encontrar um comprador fracassou?
Durante o Chapter 11, a Shopko procurou interessados capazes de adquirir a operação que ainda poderia continuar funcionando. Nenhuma proposta, porém, resultou em uma transação que preservasse o negócio como empresa em atividade.
Em 18 de março de 2019, a companhia anunciou oficialmente que não havia encontrado comprador. Com isso, cancelou o leilão antes planejado e decidiu iniciar o encerramento ordenado das operações de varejo.
Como a liquidação passou a funcionar?
A Gordon Brothers foi encarregada de supervisionar o processo, inicialmente estimado em 10 a 12 semanas. A prioridade passou a ser vender estoques e concluir o fechamento das lojas em vez de reconstruir a antiga rede.
A mudança também significou que o objetivo central do Chapter 11 havia se alterado: de tentar reorganizar uma empresa em funcionamento para administrar a saída do varejo e transformar ativos restantes em recursos.
O processo pode ser resumido em quatro movimentos:
O que aconteceu com os 14 mil trabalhadores?
O fechamento das lojas acabou custando aproximadamente 14 mil empregos. O impacto atingiu trabalhadores distribuídos por diferentes estados e tornou a quebra da Shopko mais um dos grandes episódios de perda de postos no varejo americano naquele período.
A situação também gerou controvérsia sobre verbas rescisórias. Meses depois da falência, parlamentares americanos cobraram explicações sobre relatos de trabalhadores que não teriam recebido pagamentos de desligamento anteriormente prometidos.
A liquidação significou o fim de tudo ligado à Shopko?
Não. A liquidação atingiu a grande rede de varejo geral, mas a operação óptica recebeu tratamento separado durante o processo. A própria companhia informou em março de 2019 que continuava avaliando alternativas estratégicas para esse segmento.
Para as lojas de descontos, porém, o resultado foi definitivo. Uma rede criada em Wisconsin em 1962 e expandida por 26 estados deixou de funcionar como cadeia nacional depois que a reestruturação não conseguiu produzir um comprador para preservar a operação.
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