Rapper irlandês acusado de terrorismo vence governo britânico
Tribunal Superior rejeita recurso da Coroa e encerra processo contra vocalista do Kneecap acusado com base na lei antiterrorismo
Liam O’Hanna, vocalista do grupo irlandês de punk-rap Kneecap, obteve nesta quarta-feira, 11, uma decisão favorável do Tribunal Superior do Reino Unido, que rejeitou o recurso do Serviço de Procuradoria da Coroa (CPS) para reabrir o processo criminal movido contra ele, com base na legislação antiterrorismo britânica.
A acusação tinha origem em um show realizado em Londres em novembro de 2024, durante o qual O’Hanna teria exibido uma bandeira do Hezbollah, organização classificada como terrorista pelo governo do Reino Unido. Com base na Lei de Terrorismo do ano 2000, o cantor foi formalmente indiciado em 21 de maio de 2025, exatamente seis meses após o episódio que motivou a denúncia.
A questão do prazo
O caso chegou ao fim por razões processuais. Em setembro de 2025, o magistrado Paul Goldspring determinou o encerramento do processo ao concluir que a acusação formal havia sido apresentada fora do prazo legal previsto pela legislação. O CPS recorreu em janeiro de 2026, sustentando que Goldspring havia interpretado incorretamente as regras sobre o momento de apresentação da denúncia.
O Tribunal Superior, porém, manteve a decisão original. Em documento de 13 páginas, um painel composto por dois juízes concluiu que “o juiz estava certo ao considerar que não tinha jurisdição”, pois “nenhuma acusação por escrito foi apresentada nos seis meses” seguintes ao suposto crime.
A decisão não examinou o mérito da conduta atribuída ao músico, ou seja, se exibir a bandeira configuraria ou não infração à lei antiterrorismo. O encerramento do processo decorreu exclusivamente da falha formal da acusação.
O grupo e o contexto
O’Hanna, cujo nome em irlandês é Liam Og O hAnnaidh, integra o Kneecap ao lado de JJ O Dochartaigh e Naoise O Caireallain, conhecidos pelos nomes artísticos DJ Provaí e Moglai Bap. Os três estavam presentes no momento em que a decisão foi anunciada.
A banda canta em irlandês e adota posicionamento público em solidariedade aos palestinos em Gaza. Por conta disso e de outras controvérsias, o grupo teve apresentações canceladas em diferentes países. O uso da língua irlandesa pelo Kneecap carrega, por si só, peso político na Irlanda do Norte, onde o idioma esteve historicamente associado a disputas identitárias e ao movimento republicano.
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