Rafael Bañares, Professor de Medicina, sobre o fígado: “O álcool e a gordura antecipam aumento nos casos de doença hepática avançada nos próximos anos”
Especialista espanhol alerta para os perigos ocultos da má alimentação.
O Dr. Rafael Bañares, chefe do Serviço de Aparelho Digestivo do Hospital Geral Universitário Gregorio Marañón, em Madri, e presidente da Associação Espanhola para o Estudo do Fígado (AEEH), fez um alerta grave: o consumo abusivo de álcool e as dietas ricas em gordura estão pavimentando uma epidemia silenciosa de doença hepática avançada que deve explodir nos próximos anos.
Quem é Rafael Bañares e por que o alerta dele merece atenção?
O Dr. Bañares não é um comentarista ocasional. Ele é catedrático de Medicina na Universidade Complutense de Madri, dirige o serviço de hepatologia de um dos maiores hospitais da Espanha e preside a AEEH, entidade científica de referência em saúde hepática na Europa.
Em entrevista recente à Men’s Health Espanha, ele foi categórico: o aumento do consumo de álcool durante e após a pandemia, somado à epidemia de obesidade e má alimentação, está criando uma geração de pacientes que só descobrirão o dano no fígado quando a doença já estiver em estágio avançado.
Confira os detalhes:
🩺 Dr. Rafael Bañares — Alerta hepático
Hepatologista · Espanha · entrevista Men’s Health
| Credencial | Posição | Peso da fonte |
|---|---|---|
🎓 Acadêmico |
Catedrático de Medicina | Universidade Complutense de Madri |
🏥 Clínico |
Chefe de Hepatologia | Um dos maiores hospitais da Espanha |
🏛️ Institucional |
Presidente da AEEH | Referência europeia em saúde hepática |
⚠️ Alerta |
Diagnóstico tardio | Dano silencioso — sintomas só aparecem em fase avançada |
Como o álcool destrói o fígado sem dar sinais claros?
O fígado metaboliza mais de 90% do álcool ingerido, transformando-o em substâncias tóxicas como o acetaldeído. Esse processo gera inflamação crônica que, ao longo de 20 ou 30 anos, pode destruir o órgão sem que a pessoa sinta absolutamente nada.
O grande perigo, segundo o Dr. Bañares, é justamente essa ausência de sintomas. Quando surgem a icterícia, a barriga d’água ou o vômito com sangue, o fígado já perdeu grande parte da sua capacidade funcional, e o transplante muitas vezes é a única saída.
Por que a gordura virou um inimigo tão perigoso quanto o álcool?
O fígado gorduroso, conhecido tecnicamente como esteatose hepática metabólica, já atinge cerca de 25% da população mundial. O problema é que, em uma parcela significativa desses pacientes, a gordura evolui para esteato-hepatite, fibrose e, finalmente, cirrose.
O Dr. Bañares explica que o aumento da doença hepática por gordura está diretamente ligado a três fatores que se reforçam mutuamente:
- Dietas hipercalóricas: ricas em gorduras saturadas e carboidratos refinados
- Sedentarismo: a ausência de atividade física agrava o acúmulo de gordura visceral
- Consumo excessivo de frutose: bebidas açucaradas e ultraprocessados sobrecarregam o fígado
O que acontece quando álcool e gordura se combinam no mesmo paciente?
O efeito não é apenas somado: é multiplicado. O Dr. Bañares detalhou que o álcool e a gordura atuam como sinergistas, ou seja, um potencializa o dano causado pelo outro. Um fígado já inflamado pelo acúmulo de gordura é muito mais vulnerável à agressão do álcool.
Segundo a AEEH, essa combinação é a principal responsável pelo aumento de casos de cirrose e hepatocarcinoma em pacientes com menos de 50 anos. O perfil clássico do paciente com cirrose, antes restrito a homens acima dos 60 anos com longo histórico de alcoolismo, está mudando para incluir adultos jovens com obesidade e consumo social de álcool.
Como prevenir a doença hepática antes que ela se torne irreversível?
A boa notícia é que o fígado tem uma capacidade extraordinária de se regenerar, desde que o dano não tenha ultrapassado o ponto de não retorno. O Dr. Bañares insiste que as medidas preventivas são eficazes e podem reverter quadros iniciais de esteatose e inflamação.
As principais recomendações do especialista para proteger o fígado são:
- Limitar o álcool a zero ou ao mínimo possível: não existe dose segura de álcool para o fígado
- Reduzir gorduras saturadas e ultraprocessados: priorizar alimentos in natura e gorduras boas
- Praticar atividade física regular: o exercício reduz a gordura visceral e melhora a sensibilidade à insulina
- Controlar o peso e a circunferência abdominal: a gordura na barriga é um marcador direto de risco hepático
- Fazer exames de rotina: transaminases e ultrassonografia podem detectar alterações precoces

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Qual o prognóstico para os próximos anos e o que esperar dessa epidemia silenciosa?
O Dr. Bañares projeta um cenário preocupante: o número de casos de cirrose e hepatocarcinoma deve crescer de forma significativa até 2035, impulsionado pela geração que hoje está na faixa dos 30 a 50 anos e mantém hábitos de alto risco sem percepção do perigo.
A mensagem final do especialista é direta e não deixa margem para ilusões: o fígado não dói, não reclama e não manda avisos. Quando os sintomas finalmente aparecem, o estrago já está feito. A prevenção, portanto, não é uma escolha entre tantas outras: é a única estratégia que realmente funciona contra uma doença que só dá as caras quando já é tarde demais.
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