Quem é o indicado por Trump para liderar a Justiça dos EUA
Secretário interino da pasta há dois meses, Todd Blance foi advogado pessoal do presidente; aprovação no Senado não será tranquila
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, formalizou nesta segunda-feira, 8, a indicação de Todd Blanche para assumir definitivamente o comando do Departamento de Justiça americano.
Blanche ocupa o cargo de forma interina há dois meses, desde que a ex-secretária Pam Bondi foi demitida. O advogado representou o próprio presidente em processos criminais, trajetória que agora orienta tanto o apoio da Casa Branca quanto as objeções no Senado.
Da defesa ao comando da Justiça
Segundo a Folha, a transição de Blanche do papel de advogado de defesa para o topo da Justiça americana não passou despercebida. Durante o período interino, ele se mostrou alinhado às prioridades do presidente, incluindo a aprovação de ações judiciais contra pessoas identificadas por Trump como alvos de retaliação.
Trump havia sinalizado publicamente a intenção de tornar a indicação permanente ainda na semana anterior, durante um evento fechado no Jardim das Rosas.
“Amanhã vou instruir Dan e todos os demais envolvidos nesse processo muito complicado, que vai ocorrer, creio eu, muito rapidamente, para que o tornemos secretário de Justiça permanente”, declarou o presidente na ocasião.
Blanche reagiu com entusiasmo à perspectiva. “Sempre que o presidente Trump indica você, é uma honra, a honra de uma vida”, afirmou em entrevista à NewsNation.
O Messias de lá?
A confirmação não deve ser tranquila. Senadores têm questionado Blanche sobre sua postura no caso Jeffrey Epstein, o criminoso sexual morto em 2019 cujos arquivos geraram desgaste político para o governo, e sobre o respaldo dado a um fundo de US$ 1,8 bilhão destinado a ressarcir aliados de Trump que alegam perseguição política com dinheiro dos contribuintes.
O próprio indicado reconhece o desafio, mas demonstra otimismo: “No processo de confirmação, trabalharemos com o Senado. Estou muito otimista”, disse.
A saída de Bondi, que antecede a ascensão de Blanche, esteve ligada à condução considerada inadequada do caso Epstein — tema sensível para a base eleitoral do presidente, que durante a campanha prometeu transparência sobre o assunto.
De acordo com o jornal The New York Times, a má gestão do dossiê teria gerado insatisfação direta de Trump com a então secretária.
Recomposição do governo
A indicação de Blanche integra um movimento mais amplo de reconfiguração do primeiro escalão. Na mesma semana, Trump nomeou Bill Pulte, diretor da Agência Federal de Financiamento Imobiliário e sem histórico em inteligência, para o posto interino de diretor de inteligência nacional.
A escolha levou democratas a ameaçar bloquear a renovação de um programa federal de vigilância voltado à segurança nacional.
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